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Ortega, Somoza, Noriega e Reagan

Reagan queria tropas panamenhas sob o comando de Noriega no conflito

A bem da verdade, os quatro personagens foram presença marcante no mesmo jogo de xadrez.

Noriega jamais ocultou que na juventude, ele havia sido zeloso servidor da CIA norte- americana. Foi neste época que ele conheceu de perto o apetite yanque pela Amazônia, tanto assim que ao despedir- se de nós antes de sucumbir ao poderio da invasão norte-americana, ele fez questão de nos dizer:
“Brasileños, durman con ojos abiertos por su Amazonia”.

Qual foi a causa do panamenho cair em desgraça pelo presidente Reagan? Foi a rebeldia. Na Nicarágua, os contras de Daniel Ortega vinham obtendo vitórias importantes contra as forças do então ditador Somoza.

Ora, Reagan queria tropas panamenhas sob o comando de Noriega no conflito.
O general presidente do Panamá recusou- se terminantemente a atender a voz de comando de Reagan, que passou a considerá-lo inimigo dos EUA. Segundo as palavras do próprio Noriega, “tornei-me um mau caráter, pai de família irresponsável criminoso e traficante de drogas contumaz. Era sob o meu comando que o Panamá havia se transformado em corredor do tráfico de drogas para os Estados Unidos”.

Essa postura, somada à vertente de que panamenho de fato deveria ser o canal do Panamá, culminou pela tragédia de Noriega, cuja permissão derradeira foi a de que os restos mortais dele repousante finalmente na terra em que nasceu.
Ressalvadas as proporções o Reagan de ontem atende pelo nome atual de Trump. A exemplo de Noriega, Maduro responde pelo engenhoso rótulo de notável traficante de drogas.

Enquanto os desencontros acontecem lá fora, aumenta assustadoramente a população venezuelana em nosso país e, de modo especial, no Jardim Alvorada de nossa Maringá.


(*) Tadeu França, ex-deputado federal constituinte

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