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Áudios, o desdobramento

Após divulgação de áudios que indicam possível arrecadação ilegal e uso político da Sanepar, oposição cobra investigação; material é foi objeto de operação realizada em 2021

O vazamento de uma série de áudios encaminhados esta semana à imprensa e divulgado inicialmente pelo Diário de Maringá, passa a ter desdobramentos políticos. Eles descrevem um suposto esquema de corrupção na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Em nota, o Governo do Estado classificou o caso como uma denúncia antiga. No entanto, diante do teor do material divulgado, o líder da Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Arilson Chiorato (PT), defende a necessidade de apuração judicial dos fatos.

Os pedidos de apuração junto à Polícia Federal e ao Ministério Público do Paraná foram assinados pelos deputados Arilson, que preside o PT-PR, e Requião Filho (PDT). As representações solicitam a instauração de procedimentos para verificar possíveis crimes eleitorais e administrativos, além da adoção das medidas previstas em lei.

Além das representações, protocolaram requerimento de informações à Casa Civil, com base na Lei de Acesso à Informação. O pedido solicita dados sobre contratos, nomeações, exonerações e providências adotadas pelo governo diante das denúncias envolvendo a Sanepar. “O Governo Ratinho Jr. não pode tratar o assunto como encerrado sem apresentar esclarecimentos sobre os fatos apontados. Classificar a denúncia como antiga não substitui a obrigação de prestar informações à sociedade”, disse o deputado Arilson.

OPERAÇÃO DUCTOS – Segundo fontes do governo, os áudios são antigos e já foram objeto de uma operação realizada em 2021 pelo Ministério Público e que contou com a plena colaboração da Sanepar, inclusive com documentos internos. “Não há novidade no relato e os envolvidos foram demitidos por justa causa e respondem a processos conduzido pelo Poder Judiciário”.

Em 20 de julho de 2020 foi deflagrada a Operação Ductos na Sanepar. Em 22 de julho, o então empregado Wellington Bedeu prestou depoimento ao Gaeco, afirmando transportar envelopes com dinheiro da empresa Martins Engenharia para Rafael Malaguido. Em 23 de julho houve a designação da comissão interna denominada “Força Tarefa Operação Ductos”, por meio da resolução 371/2020.

Em 26 de novembro de2020, durante os trabalhos da comissão, houve o registro no Canal Íntegro de denúncia anônima sob ID n.º 697, com a acusação de que o empregado Jose Reginaldo de Souza, então coordenador de clientes da GCND em Apucarana, recebia dinheiro do empregado Paulo Sergio Matias com o objetivo de manter o esquema da “rachadinha” operacionalizado pelo Rafael Sanita Malaguído. A partir das situações apontadas acima a comissão designada aprofundou internamente a investigação e produziu o relatório denominado Auditoria Especial – AE.2020.11.27-001.

O referido relatório documentou a investigação de esquema de repasses financeiros indevidos, envolvendo empregados da Sanepar e o então gerente-geral da Região Nordeste (GGND), Rafael Sanita Malaguido. A denúncia foi considerada procedente e Rafael Sanita Malaguido teve seu desligamento efetivado em 7 de novembro de 2022, bem como os demais empregados envolvidos: José Reginaldo de Souza desligado na mesma data; Paulo Sergio Matias, desligado em 9 de janeiro de 2023; Rogerio Pazoto, desligado em 7 de novembro de2022; e Wellington Bedeu, desligado na mesma data.

Rafael Sanita Malaguido moveu ação trabalhista junto ao TRT 9ª Região, julgada improcedente em 3 de fevereiro deste ano. Em 29 de abril de 2025 o TRT negou-lhe o recurso ordinário. Ainda coube recurso junto ao TST que, no entanto, foi denegado seguimento ao recurso de revista do reclamante. Rafael então apresentou agravo de instrumento para destrancar o recurso de revista, que foi distribuído para a 6a Turma do TST – gabinete do ministro Antônio Fabricio de Matos Gonçalves. Os autos estão aguardando inclusão em pauta de julgamento no TST em cujo último andamento foi no último dia 17.

Foto: Freepik

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