Malária: ‘legendários’ em tratamento

Três maringaenses do grupo Legendários voltaram infectados após viagem a Angola; Sesa realizou rápido atendimento e secretário Beto Preto ressalta importância de o viajante se informar antes de deslocamento
Três maringaenses que estiveram em Luanda, Angola, em dezembro passado, estão realizando tratamento contra a malária. Dois tiveram alta e cumprem o tratamento por mais um mês. O terceiro, que tem mais de 60 anos, continua hospitalizado.
Os três fizeram parte de um grupo de 12 homens da cidade que seguiram para a África para o que chamam de “Top reconstrução”. Os maringaenses são um assessor empresarial, um coach/pastor e um sócio/diretor de universidade particular. A primeira informação sobre o assunto foi publicada pelo Portal Edson Valério.
Os casos importados de malária foram atendidos pela Secretaria de Estado da Saúde em 22 de dezembro, quando houve o diagnóstico. A Sesa enviou 60 ampolas do medicamento Artesunato endovenoso para Maringá e Londrina, para garantir o tratamento adequado para as formas graves da doença; em Londrina não houve registro de casos. No Brasil, 99% dos casos de malária são registrados na região amazônica.
O medicamento enviado é o tratamento de primeira linha para a malária grave e complicada, causada tanto pelo Plasmodium falciparum quanto pelo Plasmodium vivax. A malária é uma doença infecciosa febril aguda, e seus principais sintomas incluem febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica. Pessoas que viajaram para áreas de transmissão da doença, como países da África, Ásia e algumas regiões do Brasil (principalmente a região amazônica), devem ficar atentas a esses sinais. A malária grave é definida por manifestações clínicas e laboratoriais severas, que podem incluir prostração, alteração da consciência, convulsões, edema pulmonar e hemorragias.

CASOS IMPORTADOS – A Sesa reforçou que o Paraná é considerado uma área livre de transmissão nativa (autóctone) da malária há mais de sete anos. Os casos registrados em Maringá são de pacientes que retornaram de viagem a um país considerado endêmico para a malária.
“Tivemos uma missão religiosa, com vários brasileiros, para a Angola e parte do grupo que voltou para Maringá teve o diagnóstico de malária. Com os casos sendo notificados no Sistema Nacional de Agravos, teremos acesso a mais doses do medicamento e torcemos para que os pacientes possam se recuperar o mais breve possível”, frisou Beto Preto.
Integrantes dos Legendários reclamaram que não foram informados em nenhum momento sobre a profilaxia da doença. Hoje, em entrevista ao Jornal da Manhã Maringá, na Jovem Pan (confira ao final), o secretário informou que a Sesa disponibiliza uma página com dicas e orientações oficiais para os paranaenses que se deslocam para qualquer área do Brasil e do mundo. Citou que atualmente há preocupação com paranaenses que viajam em cruzeiros, visto que não tem informações sobre o âmbito de vacinação da tripulação dos navios. “A gente pede o cuidado, por exemplo, com o sarampo, para tomar uma dose de reforço”.
No caso específico dos casos registrados em Maringá Beto Preto, que é médico, disse que eles poderiam até “ser esperados, porém estamos há mais de 7, 8 anos sem um caso no Paraná”, mesmo com um relacionamento de paranaenses com Rondônia e outros estados do norte. “Durante anos tivemos casos importados de malária aqui. Vieram doentes ou vinham se tratar aqui. São paranaenses que migraram para Rondônia naquele momento pós-geada negra do café”, explicou.
O secretário reafirmou que não há problemas de transmissão, mas que o fato chama a atenção. “Na verdade são pessoas hígidas, independentes, autônomas, foram fazer uma missão religiosa e que infelizmente voltaram infectadas (…). Para isso que falo: ‘Deslocou?, leia’, citando casos de febre amarela e a necessidade do reforço vacinal. “A preocupação com saúde existe todos os dias, não cessa, ela só vai mudando o foco da preocupação”, completou.
Fotos: Sesa
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