“Ele foi construído. Tijolo por tijolo. Palavra por palavra. Medo por medo”
Uma postagem, compartilhada por um amigo, me chamou a atenção e reproduzo, dando o crédito ao autor ao final:
‘Já parou pra analisar… de verdade? Não com ódio, não com torcida, não com meme. Mas com consciência. O bolsonarismo não nasceu por acaso. Ele foi construído. Tijolo por tijolo. Palavra por palavra. Medo por medo.
Primeiro veio o slogan. “Deus, pátria e família.” Uma frase antiga, reciclada, usada por Hitler, por regimes fascistas, por ditaduras que sempre precisaram de três coisas para dominar: um Deus sequestrado, uma pátria distorcida e uma família usada como escudo moral.
Depois veio a segunda fase: a mais perversa. O uso da fé. E aqui a coisa fica séria. O bolsonarismo percebeu algo que muita gente ainda finge não entender: a fé, quando não é estudada, vira ferramenta de manipulação em massa. E foi exatamente isso que aconteceu. Pegaram a ingenuidade — ou ignorância, chame como quiser — de milhões de evangélicos e venderam uma mentira embalada como salvação: “Bolsonaro é o messias que veio salvar o Brasil.”
E então, o absurdo aconteceu: púlpitos viraram palanques. Pastores viraram cabos eleitorais. E o Cristo foi empurrado pra fora da igreja… de novo. Porque se Jesus entrasse hoje em muitas dessas igrejas, aconteceria a mesma coisa que aconteceu há dois mil anos: Ele expulsaria os mercadores. Expulsaria os vendedores de medo. Expulsaria os negociadores da fé. Expulsaria os que usam o nome de Deus para enriquecer, manipular e dominar.
Vamos ser honestos, doa em quem doer: ■ Jesus nunca desejou mal a ninguém. ■ Jesus nunca defendeu arma, ódio, tortura ou morte. ■ Jesus nunca chamou o diferente de inimigo. ■ Jesus nunca andou com os poderosos — andou com pobres, doentes, prostitutas, pecadores e esquecidos. ■ Jesus nunca gritou — Ele falava manso. ■ Jesus nunca dividiu o mundo entre “nós e eles”. Ele juntava.
Agora olhe para Bolsonaro. Olhe para os bolsonaristas. Olhe para o discurso. Olhe para o ódio. Olhe para a violência verbal. Olhe para o prazer em humilhar. Olhe para o desprezo pelos pobres. Olhe para o deboche da morte. Olhe para a indiferença ao sofrimento. Onde isso se parece com Cristo? Em lugar nenhum.
O bolsonarismo não é cristão. Ele usa o cristianismo. Ele não prega o evangelho. Ele sequestra o evangelho. Ele não forma discípulos. Ele forma soldados cegos. E essa é a parte mais trágica: muitos que acham que estão defendendo Jesus… estão, na verdade, defendendo o oposto de tudo que Ele ensinou.
Reflexão final (pra bugar quem ainda pensa): Se Jesus voltasse hoje, você acha mesmo que Ele estaria em cima de um palanque gritando palavras de ódio? Ou estaria no meio dos esquecidos, sendo novamente chamado de comunista, vagabundo e herege? Talvez o maior pecado do nosso tempo não seja a falta de fé. Mas a fé sem consciência. A fé sem leitura. A fé sem amor. Porque quando a fé deixa de libertar… ela vira corrente. E quando alguém usa Deus para mandar… esse alguém já deixou de ser de Deus faz tempo’.
Meu comentário (Akino): Este texto não é meu, é assinado. André Luiz Thiago, conhecido por André Negrão, segundo ele mesmo. Pensei em acrescentar um comentário, mas acredito que nada eu poderia dizer, além do que foi dito, para reflexão de bolsonaristas e extremistas de qualquer ideologia. Apenas algo. O bolsonarismo começou a doutrina de Olavo de Carvalho, penso.
Fotos: Isac Nóbrega/Pawel Czerwinski/Unsplash
