O detalhe incômodo é que o segundo lugar já tem dono: Requião Filho
Desde muito cedo, o ser humano aprende a detestar ratos. Ainda assim, curiosamente, aprende também a admirar personagens que os representam. Mickey, Stuart Little, Ratatouille — todos exemplos de como o imaginário coletivo é capaz de transformar o asco em afeição, desde que o rato venha bem roteirizado.
Na política paranaense, o fenômeno não foi diferente. Ratinho Jr., personagem bem construído e amplamente aprovado, encerra mais de sete anos à frente do Estado com índices que qualquer governante gostaria de ostentar. O problema começa quando se tenta transformar aprovação em herança.
Apesar do sucesso da série principal, o governador parece ter esquecido de preparar um protagonista para a próxima temporada. Já em ano eleitoral, passaram a ser testados diversos nomes como possíveis sucessores — um elenco numeroso, é verdade, mas que, pesquisa após pesquisa, tem produzido pouco mais que um conjunto de laranjas secas: muito esforço, pouco suco e nenhum refresco ao eleitor.
ideia inicial era sair na frente. No entanto, o senador Sérgio Moro resolveu entrar em cena sem pedir licença e, desde então, lidera com folga os levantamentos. Diante disso, contrariando o velho ditado popular — “se não pode com ele, junte-se a ele” —, o governo parece ter recalculado a rota para disputar, com afinco, o segundo lugar.
O detalhe incômodo é que esse segundo lugar já tem dono. Requião Filho, conforme diferentes cenários pesquisados, oscila entre 17% e 27,5%.
Para aferir o humor fora dos gabinetes, o Fiscaliza Londrina realizou, em 19 de janeiro, uma enquete com seus seguidores. O resultado foi didático: Guto Silva (11%), Alexandre Curi (12%) e Rafael Greca(11,9%) empataram tecnicamente — enquanto 62% declararam preferência por outros nomes não vinculados a rataria.
Como de costume, a amostragem independente foi ao encontro das pesquisas oficiais.
Talvez seja o caso de rever a estratégia. Apoiar um dos nomes que já caminham rumo a coroação. Ou, quem sabe, recorrer ao acervo familiar e licenciar Xaropinho ou Tunico para a disputa. Não é possível afirmar que venceriam — mas, a luz dos números atuais, dificilmente fariam menos votos que os postulantes testados até aqui.
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
Foto: Alep
