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Master, um banco?

Master me faz lembrar que no futebol amador já fui juvenil, joguei em segundos times, em alguns principais e finalmente cheguei ao ‘time dos masters’

A palavra “master” vem do inglês e significa mestre, chefe ou dominado. O termo é utilizado em diversos contextos, podendo se referir a alguém que domina completamente uma arte, ofício ou campo de estudo (ex: master chefchess master). O título de Mestre (mestrado), um nível de pós-graduação. O chefe de uma casa, o capitão de um navio ou alguém que tem autoridade sobre outros (ex: master of the house).  

Master é o nome de uma instituição financeira que está no centro de um escândalo financeiro. Sua história  é relativamente recente. A instituição financeira ganhou este nome em 2021, mas existia muito antes disso. Foi criado como a corretora Máxima na década de 1970 e virou um banco na década de 1990. 

Passando por dificuldades financeiras no começo dos anos 2010, a empresa passou para  a gestão de Daniel Vorcaro, em 2018. Com uma mudança societária e operacional, além de uma capitalização de R$ 400 milhões, o Máxima virou Master. Com sede na região da badalada da Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, o   banco passou de um patrimônio líquido de R$ 219 milhões para mais de R$ 5 bilhões em um período de cinco anos.

Confesso que, até pouco tempo, desconhecia a existência e nunca vi em lugar algum uma agência da instituição, até porque o Master é mais um, das centenas  de bancos criados nos últimos anos,  sem agências físicas,  era um banco digital, daqueles em que o cliente nunca teve contato pessoal com um gerente, caixas e demais funcionários. Desculpem-me, mas eu ainda sou analógico e não saio da tradição do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, Santander, Safra, das poucas instituições que restaram no mercado, após as muitas fusões, incorporações e falências, como do Banco Nacional e Econômico, que protagonizaram outros grandes escândalos financeiros nos anos 80/90. Bancos estaduais restaram poucos, após o envolvimento de políticos ter prejudicado a maioria e agora sabemos que o BRB- Banco Regional do Brasília, se envolveu em negócios no mínimo suspeitos,  com o banco de Vorcaro.

Voltando à pergunta do título, para mim Master não era um banco, e admira-me que tantos nele tenham aplicado vultosos recursos. Master me faz lembrar que no futebol amador já fui juvenil, joguei em segundos times, em alguns principais e finalmente cheguei ao ‘time dos masters’. O nome ficou popularizado pelo jornalista Luciano do Vale, com a seleção brasileira, cuja história foi resumida por Marcelo Rosemberg, assim:

‘A iniciativa pode até não ter sido inédita, mas nunca houve tanto estardalhaço para se ver jogadores que haviam encerrado a carreira reunidos em um mesmo time quanto em 1987, quando Luciano do Valle e um grupo de empresários organizaram a primeira edição da Copa Pelé. Naquela ocasião, estiveram em São Paulo e Santos equipes representando grandes seleções campeãs do mundo como Brasil, Argentina, Uruguai e Alemanha. Na estréia do Brasil, diante de mais de 45 mil pessoas, até Pelé esteve em campo no Pacaembu na vitória sobre a Itália por 3 a 0. Na decisão, o título ficou com a Argentina após vitória sobre o Brasil.

A Seleção Brasileira de Masters de Luciano do Valle, uma iniciativa que começou em meados da década de 1980, reuniu ao longo dos anos grandes ex-craques como Rivellino, Edu, Gil, Gérson, Luís Pereira, Dada Maravilha e Cafuringa. O narrador e apresentador chegou até a treiná-la em alguns momentos. Durante muitos anos, realizou inúmeras partidas exibição Brasil afora, sempre atraindo grandes públicos. Com relação à Copa Pelé, infelizmente ficou na saudade. Em 1995, foi disputada pela última vez. Mas quem assistiu a algum momento da Seleção Brasileira de Masters, jamais vai esquecer a magia de jogadores que cada vez menos encontramos nos dias de hoje.’

Finalizando, lembramos do Master, digo, Mestre de Nazaré, Jesus, que certamente está triste por ver que seus ensinamentos não foram assimilados, por muitos, ainda. Egoísmo e  ambição desmedida ainda prevalecem.

Ilustração: Arte s/ foto de Rovena Rosa/Agência Brasil

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