Dissonância cognitiva


O capitalismo não se define por discurso, nem por sonho, nem por camiseta ideológica. Ele se define por poder estrutural
Li e reproduzo, dando crédito ao final, no comentário
‘Existe um fenômeno recorrente no Brasil que mistura aspiração, confusão de classe e dissonância cognitiva. É o pobre de direita que acredita fazer parte da elite econômica só porque abriu uma pequena empresa, fatura vinte mil por mês e emprega quatro pessoas. Isso não é ser capitalista. Capitalista é quem vive da propriedade do capital, controla meios de produção em larga escala, influencia o Estado, o mercado, a política e as regras do jogo. Quem fatura vinte mil, paga aluguel, imposto, fornecedor, contador, funcionário e ainda trabalha doze horas por dia não vive do capital. Vive do próprio esforço. É trabalhador com CNPJ.
O capitalismo não se define por discurso, nem por sonho, nem por camiseta ideológica. Ele se define por poder estrutural. Quem depende do próprio trabalho para sobreviver, mesmo sendo patrão de si mesmo ou de alguns funcionários, está muito mais próximo da classe trabalhadora do que da elite econômica que ele defende com tanto entusiasmo.
A contradição fica ainda mais evidente quando pessoas historicamente marginalizadas passam a defender ideologias que as rejeitam. Um preto defendendo projetos políticos que sempre excluíram pessoas como ele. Uma mulher trans apoiando movimentos de extrema-direita que atacam frontalmente sua existência, seus direitos e sua dignidade. Não é provocação, é constatação. Essas ideologias nunca foram pensadas para incluir essas pessoas, apenas para usá-las como exceção simbólica ou escada retórica.
Isso não é liberdade de pensamento elevada. É identificação com o opressor na esperança de aceitação, pertencimento ou ascensão. A realidade, porém, costuma ser implacável. O sistema não recompensa lealdade simbólica. Ele protege interesses concretos.
No fim das contas, não se trata de opinião política isolada, mas de um conflito profundo entre identidade, realidade material e desejo de pertencimento. A dissonância cognitiva entra exatamente aí: quando a pessoa precisa distorcer fatos, história e estrutura social para sustentar uma crença que a própria realidade insiste em desmentir.’
Meu comentário (Akino): A este texto publicado no facebook por Wanderson Dutch, teria pouco a acrescentar, a não ser que há casos de doutrinação, em que patrões convencem, pelo medo, seus empregados a seguirem suas ideologias. Conheço um empregador que me disse que se souber que o empregado é de esquerda, ele demitirá sumariamente. Há empregados que, convivendo num ambiente de direita, ou antiesquerda, passam a seguir a maioria.
E aí você pode me perguntar: E você? Não me enquadro na figura do trabalhador comum. Sou empregador e com faturamento bem superior aos R$ 20.000,00 mensais citados no texto, portanto, seria um capitalista, ou pelo menos não sou um trabalhador com CNPJ. Mas não me deixo levar por ideologias extremistas de direita ou de esquerda, e não censuro nenhum dos 04 funcionários que empregamos. Coloco-me mais ao centro, e pelo que aprendi com o cristianismo, que talvez caia mais para esquerda, do que para a direita. Tenho muitas dificuldades em aceitar o bolsonarista, tal qual está posto, hoje. Penso que penso racionalmente, e assim não me sinto com dissonância cognitiva.
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