Sobre condenação e inocência


Sim, há lobos em pele de cordeiro por toda parte
Ah, Maringá… hoje a cidade acordou com aquele burburinho que só a política sabe produzir quando a lama resolve borbulhar. O assunto que tomou cafés, grupos de WhatsApp e corredores foi a condenação de um vereador por maus-tratos e desvio de recursos de uma ONG. A multa, nada modesta, é de R$ 100 mil, sem a correção.
Mesmo longe fisicamente, esta colunista acompanha de perto tudo o que envolve a vida maringaense. E o que salta aos olhos não é apenas a decisão judicial, baseada em provas, imagens fortes e na ausência de comprovação da destinação do dinheiro, mas a tentativa desesperada de distorcer a narrativa.
De repente, apoiadores surgem como se fossem jurados de um tribunal paralelo, classificando a decisão de uma juíza séria como “injustiça”. Curioso. Uma magistrada que analisou o que foi colocado no processo, decidiu com base em fatos e, ainda assim, virou vilã nas redes. A decisão pode, sim, ser revista em instâncias superiores. As provas, porém, continuam lá, frias, objetivas e incômodas.
Quem viu as imagens do chamado “santuário” sabe exatamente do que estou falando. Não é interpretação, é constatação.
O espetáculo fica ainda mais constrangedor quando amigos e apoiadores passam a ser usados como massa de manobra, numa defesa cega, claramente política, orquestrada com a mesma habilidade dos velhos raposos. O manual é antigo. Barulho nas redes, silêncio estratégico do condenado e a esperança de que tudo seja esquecido com o próximo escândalo.
Aliás, nas redes do vereador, nenhum pronunciamento. O silêncio ensurdecedor de quem aposta na memória curta do eleitor. Enquanto isso, contas fakes aparecem para defender o parlamentar, as mesmas contas que destilam ataques a frágil reputação do prefeito em perfis de notícias e a vereadores, tudo em nome de uma defesa que não se sustenta nos autos, apenas no grito.
Ironia fina da história. Na Bíblia, Lemuel era um rei aconselhado a governar com responsabilidade e caráter. Mesmo que alguém se diga inocente, as práticas falam mais alto que o nome. Neste caso, o nome ficou bonito. A conduta, nem tanto.
Nos corredores da Câmara, os cochichos não param. Há quem diga que um vereador passa sorrindo demais, comemorando em rodas conhecidas da famosa “boca maldita”. Alianças antigas, ajudas de campanha esquecidas, punhais afiados pelas costas. A política sendo política.
A lama que o vereador condenado tanto menciona não é exceção. É presença diária. Por isso, a conduta dos parlamentares precisa ser observada no cotidiano, não apenas nos discursos ensaiados.
Porque, sim, há lobos em pele de cordeiro por toda parte. Inclusive, e talvez principalmente, na chamada Casa Legislativa.
Daquela que não finge bondade, e ataca as hipocrisias, Madame Savage.
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