Joseval Peixoto lança livro de memórias

Publicação relata passagens, bastidores inéditos e reflexões do jornalista e advogado que marcou gerações de ouvintes e telespectadores apaixonados por esportes e notícias e conta com prefácio de Hermes Marcelo Huck; na sexta-feira o autor estará no Jornal da Manhã Maringá
Durante 70 anos de carreira no rádio e na TV, Joseval Peixoto se destacou por narrar o milésimo gol de Pelé e a conquista do tricampeonato da seleção brasileira de futebol, no México. No jornalismo permaneceu por mais de 4 décadas na apresentação do Jornal da Manhã da Jovem Pan e por 7 anos na bancada do Jornal do SBT
Agora, a Editora 45 lança “A Lenda – Joseval Peixoto”, obra que celebra a trajetória de um dos maiores nomes do jornalismo e da comunicação brasileira. Escrito por Patrick Santos e Patricia Castellon, o livro mergulha na vida, nas memórias e nas reflexões de Joseval Peixoto — advogado, poeta e jornalista que se tornou símbolo de ética, sensibilidade e credibilidade na Jovem Pan, onde comandou por décadas o Jornal da Manhã. Entre histórias inéditas e bastidores marcantes, a obra resgata a voz que narrou o tricampeonato mundial da Seleção Brasileira de Futebol em 1970, eternizou momentos do rádio e ajudou o Brasil a pensar com razão e sentir com o coração.
A Lenda Joseval Peixoto é uma narrativa sobre o Brasil, contada a partir da experiência de um homem que viveu e narrou os grandes acontecimentos do século XX e início do XXI — das transmissões esportivas históricas aos momentos decisivos da política, da cultura e da justiça. Em São Paulo o lançamento do livro “A Lenda Joseval Peixoto – Voz, memórias e versos de uma vida ao vivo” aconteceu em novembro.
A VOZ QUE NARROU O TRICAMPEONATO DA SELEÇÃO BRASILEIRA – Joseval Peixoto fez parte da história viva do país. Foi ele quem narrou, para milhões de brasileiros, o histórico 4 a 1 sobre a Itália na final da Copa do Mundo de 1970, a partida que coroou a Seleção Brasileira de Futebol tricampeã mundial e eternizou a geração de Pelé. Sua narração, transmitida ao vivo pelo rádio, atravessou fronteiras e marcou gerações. Com equilíbrio, emoção e respeito, ele fez o Brasil ouvir — e sentir — a história acontecendo.
Em uma das revelações mais delicadas do livro Joseval conta o bastidor de um episódio até então guardado: durante o Torneio Octogonal disputado no Chile, o ídolo Pelé, jogando pelo Santos, estava escalado, mas não entrou em campo — mesmo constando na súmula. O motivo real, que Joseval descobriu mas manteve em silêncio por décadas, era surpreendente: uma vidente avisou Pelé que os jogadores adversários iriam “quebrá-lo” durante a partida. Por precaução, o Rei do Futebol optou por não jogar.
Joseval, que estava cobrindo o torneio, soube da verdadeira razão, mas decidiu não divulgar a notícia. Por lealdade e ética, preferiu “guardar a verdade” — não por medo, mas por entender que o mito de Pelé simbolizava algo maior do que a própria partida. Para ele, a imagem do ídolo era, naquele momento, uma forma de preservar o sentimento nacional que o futebol representava.
“O Brasil precisava de Pelé inteiro. E naquele dia, ele estava — mesmo sem jogar”, escreve Joseval, em uma das passagens mais bonitas e éticas do livro. Essa postura exemplifica o jornalismo de uma era em que a palavra dada e o respeito ao Rei Pelé valiam mais que qualquer furo de reportagem.
Além da Copa de 70, Joseval teve o privilégio de narrar outro momento histórico do futebol brasileiro: o milésimo gol de Pelé, marcado de pênalti contra o Vasco da Gama, no Maracanã, em 19 de novembro de 1969. Sua voz emocionada transmitiu ao Brasil inteiro a consagração definitiva do maior jogador de futebol de todos os tempos. Joseval cobriu inúmeros outros eventos esportivos que marcaram época, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas do jornalismo esportivo brasileiro. Sua capacidade de transformar a narração em poesia e a notícia em emoção fez dele um ícone da comunicação.
A JOVEM PAN COMO CASA E PALCO DE UMA CARREIRA LENDÁRIA – A Jovem Pan foi o cenário principal da carreira de Joseval Peixoto. Durante décadas, ele comandou o Jornal da Manhã, programa que se tornou referência no jornalismo brasileiro. Sua voz abria o dia para milhões de ouvintes, misturando a força da notícia à suavidade da reflexão.
Os famosos “fechos” — pequenas crônicas poéticas que encerravam as edições — se tornaram marca registrada. Neles, Joseval encontrava a humanidade por trás das manchetes, oferecendo ao ouvinte uma pausa para respirar, pensar e sentir. Sua maneira única de encerrar o noticiário com poesia transformou o rádio em espaço de empatia e sabedoria.
“Queria que o ouvinte terminasse o jornal respirando melhor do que começou”, disse certa vez. Essa filosofia — simples e profunda — sintetiza o espírito de Joseval: o jornalismo como serviço à alma humana.
Na Jovem Pan, Joseval não foi apenas um comunicador, mas um formador de opinião, um educador das ondas do rádio, alguém que elevou o padrão do jornalismo brasileiro ao unir informação, cultura e sensibilidade em cada transmissão.
O CHAMADO DE SILVIO SANTOS – Após uma trajetória consagrada no jornalismo esportivo e no rádio, Joseval Peixoto chegou ao SBT para viver um novo capítulo de sua carreira. Convidado por Silvio Santos, ele assumiu o comando do SBT Brasil, levando ao telejornal a mesma sobriedade e credibilidade que marcaram décadas de microfone na Jovem Pan.
A chegada à emissora representou uma transição simbólica: o homem da voz que embalou gols e manchetes tornou-se também o rosto da informação em rede nacional. No livro, Joseval descreve esse momento com gratidão e respeito, destacando a liberdade editorial que sempre lhe foi dada e o espírito humano de Silvio Santos — um encontro entre dois comunicadores que entendem o poder da palavra e da confiança do público.
DO CAMPO À CAPITAL: A TRAJETÓRIA DE UM GIGANTE BRASILEIRO – A história de Joseval Peixoto é também a história do Brasil. Nascido em uma família de colonos em fazendas de café do interior, onde o trabalho era medido em “enxadas”, Joseval viveu a transformação do país de perto. Sua mãe, mulher à frente de seu tempo, o inscreveu em um curso de datilografia quando ainda era criança, tornando-o um dos mais jovens especialistas em tecnologia de sua cidade — um primeiro passo que o levaria a horizontes muito mais amplos.
Formado em Direito, pela São Francisco – USP, Joseval sempre enxergou a profissão de jornalista como extensão de sua missão ética. No livro, ele relembra os tempos de advocacia e os mestres que moldaram sua visão humanista, entre eles Goffredo da Silva Telles Jr. e Miguel Reale. O autor destaca sua crença de que a liberdade é a respiração da alma, e o jornalismo, o espaço natural dessa liberdade.
Sua passagem pela Rádio Excelsior, Rádio Bandeirantes e, finalmente, pela Jovem Pan, consolidou uma carreira marcada pela integridade, pelo respeito à verdade e pela paixão pela comunicação. Joseval participou de momentos históricos como a greve dos radialistas, lutando por melhores condições de trabalho para a categoria, e cobriu eventos que definiram o rumo do país.
O POETA, O PENSADOR E O GUARDIÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA – Em A Lenda, o leitor encontra também o poeta e o pensador: o homem apaixonado pela língua portuguesa, pelo latim e pelas palavras como instrumentos de construção moral. Joseval acreditava que a notícia é efêmera, mas a palavra permanece.
“A notícia é o que passa, mas a palavra é o que fica”, escreve Joseval, reafirmando seu compromisso com a permanência dos valores. Seus textos, repletos de referências literárias e filosóficas, elevaram o jornalismo a um patamar de arte. Ele não apenas informava; ele educava, inspirava e tocava corações.
Sua ligação com a fé presbiteriana também permeia a obra. Joseval permaneceu fiel à sua denominação mesmo após casar-se com uma católica, em um exemplo de respeito e diálogo inter-religioso. No livro, ele relata uma conversa marcante com o padre, quando acordaram que os filhos seriam criados na fé católica, como a mãe. Em um gesto de amor e promessa, Joseval disse à esposa que um dia assistiriam juntos a uma missa em Roma, celebrada pelo Papa João Paulo II — uma promessa que simboliza a união entre fé, família e respeito às diferenças. A canção “Pai Nosso”, composta por Luís Chaves (irmão do Sabá, integrante do Zimbo Trio), tornou-se um símbolo dessa geração de fé e comunhão, sendo posteriormente celebrada pelo Padre Marcelo Rossi.
Sobre Editora 45 – A Editora 45 dá voz a histórias que transformam, construindo legados e ecoando além das páginas. Com uma abordagem flexível e alinhada à identidade de cada autor, a editora valoriza cada projeto e cria conexões que permitem que narrativas únicas sejam ouvidas e compartilhadas. Desde sua fundação, a Editora 45 já publicou obras que exploram consciência, desenvolvimento humano e transformação pessoal, consolidando-se como referência em projetos que inspiram e conectam leitores a autores de maneira profunda e significativa. Acesse o link para mais informações. (Assessoria)
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