Orelhudos ‘do cão’

“A contenção deveria começar em casa, continuar na escola, mas estamos todos reféns, igual o Orelha”

Uso duas expressões que marcaram minha infância, para abertura da reprodução de um texto que me foi enviado por amiga, professora, falando sobre a crueldade cometida contra um cão. A palavra orelhudo era usada no sentido de cabeçudo, ou inteligência limitada (estúpido), e cão era sinônimo de diabo, capeta, coisa ruim.

Eis do texto: ‘O cão Orelha era muito importante na sua comunidade e se tornou mais importante ainda para escancarar a violência cruel e avassaladora de 4 jovens na calada da noite, sob o manto “invisível” da sua condição econômica. 

Nós todos que trabalhamos com a educação no contexto atual nos tornamos o cãozinho Orelha, vivemos sob condições de trabalho insuportáveis, onde o escárnio, o deboche, a falta de contenção e principalmente a falta de educação dos pais, são constantes em nosso cotidiano. Não temos a cabeça cravejada de pregos igual o Orelha, mas temos a alma cravejada de dor e humilhação no dia a dia, pois os adolescentes são colocados acima da lei, quase sempre são inimputáveis. A sociedade está colhendo agora, o que estamos denunciando há décadas. 

Vão me perguntar, mas você não conhece o ECA, e eu respondo sim, conheço, mas infelizmente ele não atende o contexto atual, onde muitas crianças e jovens deixaram de ter empatia ou respeito pelo outro SER. E, não importa a condição social, quando estão em bandos, vestem e se investem do escudo da injustiça e vão adiante no exercício da humilhação. 

São todos iguais? Não, mas aqueles 30% contaminam e oprimem os que querem fazer direito e se abandonam pelo contexto. A primeira vez que me acendeu um alerta, foi quando um guarda de trânsito de Maringá foi chutado por um adolescente. O que falta agora? Pois professores levam soco!!! Professores são afastados silenciosamente por tortura psicológica no cotidiano de trabalho. A sociedade está cada vez mais doente. E a contenção deveria começar em casa, continuar na escola, mas estamos todos reféns, igual o Orelha.

E termina, minha amiga, dizendo: “Este texto não cobre tudo que eu gostaria de dizer, mas é um alerta, pela violência em decorrência da falta de contenção. Teremos cada vez mais pessoas frias e sem empatia. Que riem da dor alheia.’

Foto: Redes sociais