A vida é curta demais para ser um enredo monótono
“Fazer um carnaval” é uma expressão brasileira que significa criar uma grande animação, festa ruidosa ou até causar um escândalo/confusão. Há quem diga que carnaval seja uma das festas que mais traduzem a cultura e a identidade do povo brasileiro, sendo uma celebração de liberdade e criatividade’. Será mesmo ?
No sábado (14), acordei com uma certa melancolia, e lembrando de outros carnavais, postei: ‘Carnaval, para mim, hoje é apenas um feriadão que de festa de carnaval não tem nada, não sinto falta. Saudades? De pessoas, boas lembranças, alguns arrependimentos, ou não, pois os erros são frutos da inexperiência na atual existência. Que todos, encarnados ou desencarnados, com quem convivemos em carnavais passados, estejam bem. Eu estou, dentro do que é possível na existência em mundo de provas e expiações (de resgate de dívidas, ‘pagamento dos pecados’). Fico só espiando (de vendo, observando), não desfiles, nem pela TV, pois faz muito tempo que não vejo, e nem por isso chamo a Globo de ‘globolixo’ .Talvez devesse fazer um ‘ retiro’ ( espiritual), mas preciso trabalhar (preciso mesmo, vou passar carnaval trabalhando. Todos precisamos trabalhar, há muito o que trabalhar em nós (corrigir defeitos, livrarmos de vícios), e quando falamos de vícios, os morais são tão danosos quantos os das drogas.
Vamos fazer um carnaval, pensei. Não costumo usar a IA para o essencial dos textos que produzo, mas resolvi pedir uma sugestão e de pronto veio a seguinte resposta:
‘Viver é o maior abre-alas que existe. Falar de alegria de viver é falar de um Carnaval eterno: aquele estado de espírito onde a gente decide, por conta própria, que todo dia merece uma chuva de serpentina. É entender que a nossa trajetória é uma avenida iluminada e que cada tropeço é só um passo de samba que a gente ainda está aprendendo a coordenar.
A vida é curta demais para ser um enredo monótono. Por isso, cante o seu refrão com força, balance o estandarte dos seus sonhos e deixe o cansaço para a quarta-feira de cinzas, que, entre nós, ainda está bem longe de chegar.’
Eis um texto que eu assinaria, pensei. Faço algumas correções começando por um questionamento: A existência humana seria um abre-alas? A expressão ficou consagrada na letra de uma famosa música, de Chiquinha Gonzaga de 1899. Percebe-se o significado a partir da letra que complementa o verso: (…), que eu quero passar, ou seja, ela está pedindo passagem.
Talvez não seja correto dizer que a vida, seja o maior abre-alas que existe, mas que na vida estamos constantemente num abre-alas, ora pedindo, outras vezes dando passagem. Começando pelo nascimento, onde após os cerca nove meses de formação do corpo físico que vamos usar, dizemos: abre-alas que eu quero passar, e aí começa o trabalho de parto. Se demora, ficamos impacientes e dizemos: ‘dá teu jeito’, e o médico decide pela cesariana.
Vem o primeiro choro e podemos concluir que a vida não será sempre carnaval eterno. Ou será? Nem tudo será alegria, nem só confusão. Para muitos, mais confusão do que alegria. Haverá dias de chuva, seguidos pelo ensolarados. Disse o poeta que quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Não é verdade, pois conheço bons sujeitos, que parecem não gostar de samba, mas também não tenho certeza, se realmente não gostam e se são realmente bons sujeitos. Eu gosto, e às vezes não me sinto tão bom. Penso que pouco são, o tempo todo.
A gente merece uma chuva de serpentina, e serpentina me lembra o tubo que sai do barril e que leva o chope (pedindo passagem) até a torneira. É nesse trajeto que ele gela. Apreciemos com moderação. A vida não é curta, é eterna. As existências, como encarnados, são, e podem acabar com excessos do carnaval, logo é preciso moderação, em tudo, menos no amor ao próximo e a nós.
Vamos fazer um carnaval o ano todo, no sentido de animação e festa. De amor ao próximo e a nós mesmos. De alegria e caridade, com equilíbrio e bom senso.
Imagem gerada por IA
