Luluzinha: a deputada alfabetizada e as travessuras na educação

A nova secretária londrinense tem a obrigação de manter a curva ascendente da educação (na foto, da esq. p/ a dir.: Tatiane Lopes, Vânia Costa e Luíza Canzini ao centro)

Como já declarei em outros artigos, “mentiras sinceras” me interessam. Interessa-me, sinceramente, saber a quem e para que servem. A política, não raramente, é feita de narrativas inverídicas ancoradas no terreno do esquecimento — este, por sua vez, tomado pelo mato do desconhecimento. Solo fértil para que políticos novos, oriundos de clãs velhos, emplaquem as suas próprias “verdades”.

Dias atrás, a Secretaria de Educação de Londrina promoveu uma “festa estranha, com gente esquisita” para inaugurar… catracas. Não, você não precisa de óculos: a secretária de Educação, o prefeito Tiago Amaral e o clã Canziani (pai e filha) reuniram-se na Escola Municipal Roberto Panico para a inauguração de catracas. “Inovação e tecnologia”, disseram. Teve até discurso acalorado e, estando presente uma deputada “alfabetizada”, ela não poderia deixar de demonstrar seu domínio do “b-a-bá”. Eu poderia dizer que foi uma gracinha — o teclado é meu —, mas prefiro dizer o que realmente foi: uma catástrofe.

Ao tentar valorizar a nova secretária de Educação — fruto da indicação política de seu pai, Alex Canziani —, a deputada afirmou que agora a educação avançaria, agora teria tecnologia, agora teria uma servidora mulher que faria a diferença.
Ora, nobre deputada, tens memória curta ou discursas sem conhecimento de causa?

Tatiane Lopes, a indicada de seu pai, substitui ninguém menos que Vânia Costa: mulher, diretora e servidora há 36 anos, que promoveu avanços significativos na educação municipal após assumir a pasta das mãos de outra agraciada por seu pai. Acaso sofres de memória seletiva?

Ademais, não cabe a nenhum de nós “medir” mulheres — ainda mais estas, tão grandes. Não acha?

Já a educação não só podemos, como devemos medir. Afinal, existem métricas e a obrigação de aplicá-las. Vamos lançar luz aos números:

Vânia Costa assumiu a secretaria em janeiro de 2025, com o índice de Fluência em Leitura de 6,5. Esta semana, a secretaria fez festa para anunciar que a gestão de Vânia — e não outra — elevou o índice para 7,0. É importante salientar que foi um trabalho a muitas mãos, com ações efetivas de vários profissionais, tendo como principais beneficiados os alunos da cidade de Londrina.

Outra métrica do período Vânia, o Ideb, será anunciado em julho e deve surpreender positivamente. Vale lembrar que, em quase oito anos da gestão da ex-secretária Maria Tereza, avançamos apenas um mísero ponto no IDEB. E por falar em IDEB, que mede a unidade escolar individualmente, há outro dado interessante: no período em que Vânia Costa dirigiu o Colégio Carlos Dietz, o índice saltou de 6,4 para 8,0. Já no Colégio Roberto Panico, da atual secretária Tatiane Lopes, o índice foi de 5,9 para 6,7 – período em que esteve à frente da direção.

Que fique claro: não exponho números para medir quem é “melhor”, nem para sugerir à população que trocamos uma nota 8,0 por uma 6,7 por critérios que não foram amplamente esclarecidos ao londrinense. Faço-o para dizer à nova secretária que ela tem a obrigação de manter a curva ascendente da educação. Faço-o para deixar claro ao prefeito Tiago Amaral que, antes de tudo, ele deveria ter consultado os índices. E faço-o para lembrar ao povo que, quando a indicação é meramente política ou mal explicada, o cidadão torna-se apenas um detalhe.

Que fique claro, este artigo tem como único objetivo defender a qualidade da educação municipal e a transparência nas escolhas administrativas.


(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão

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