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Irã: a caminho de uma guerra civil?

Novo rumo das operações de guerra busca degradar a capacidade do regime iraniano de responder a crises internas e manter o controle sobre a capital e as regiões de fronteira

A mudança de estratégia de Israel e Estado Unidos, especificamente, quando verificamos através da imprensa internacional, que estão atacando instituições de segurança interna iranianas, como o quartel-general de controle de distúrbios da segurança interna no oeste de Teerã, a 8ª Base Regional de Resistência Basij de Beheshti, Município de Teerã, a 14ª Base Regional de Resistência Basij de Mahalati, a 2ª Base Regional de Resistência Basij de Bahoner, todas na capital, forças essa que atuam diretamente na repressão de protestos. Bem como os ataques na região de fronteira, como na Província de Ilam, também em Tabriz, e em Kermanshah, mostram uma mudança estratégica significativa, uma vez que se focam alvos de segurança interna e controle social (guerra de “erosão política”), em vez de apenas infraestrutura nuclear ou militar convencional (guerra de “atrito militar”).

Nesse contexto, guerra de “erosão política”, ao atingir o Quartel-General Sarallah e as bases regionais do Basij, que é sem dúvida o pilar essencial para a sobrevivência do regime iraniano no dia a dia, o qual fundado pelo Ayatollah Khomeini em 1979, e que evoluiu de uma milícia de voluntários da guerra Irã-Iraque para uma rede de controle social e paramilitar onipresente, se assinala que esse novo rumo das operações de guerra busca degradar a capacidade do regime iraniano de responder a crises internas e manter o controle sobre a capital e as regiões de fronteira.

Vale lembrara que essas bases são os centros de coordenação local, ou seja, quando o regime precisa reprimir um protesto em um bairro específico, é dessas bases que saem as ordens e o pessoal. Assim, ao atingir esses centros, não se está apenas destruindo prédios, mas fragmentando a capacidade de mobilização da repressão interna do regime.

Em conclusão, essa mudança de estratégia mostra claramente que se pretende enfraquecer a capacidade do regime de reprimir ou conter as revoltas populares, abrindo passo para a ruptura do equilíbrio de poder entre o Estado e a sua população, ou seja, estão sendo criadas as condições para a insurgência.

Imagem: Reprodução/Satélite

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