Justiça vê fraude em recuperação bilionária

José Pupin, o Rei do Algodão, diz ter sido vítima de consultoria citada pela PF em inquérito sobre venda de sentenças; empresa nega
De Aguirre Talento, de O Estado de S. Paulo:
A Justiça estadual de Mato Grosso reconheceu, em uma decisão de primeira instância, a existência de suspeitas de fraudes em um processo bilionário de recuperação judicial do empresário do setor de agropecuária José Pupin, que já foi conhecido como “Rei do Algodão”.
As suspeitas surgiram após investigação da Polícia Federal (PF) sobre um esquema de venda de sentenças no Judiciário e atingem uma consultoria responsável por gerir a recuperação judicial, a Fource.
Como revelou o Estadão em outubro, o próprio empresário José Pupin peticionou à Justiça admitindo ter contratado a Fource para administrar a recuperação judicial, mas disse ter constatado a existência de irregularidades que lesaram os credores e seu patrimônio. A recuperação judicial do Grupo Pupin foi apresentada à 1ª Vara de Campo Verde, em Mato Grosso, em 2017. À época, envolvia um conjunto de dívidas de R$ 1,3 bilhão.
A investigação da PF sobre venda de sentenças já levantou suspeitas de que a Fource cometeu fraudes em processos de recuperação de empresas e corrompeu juízes para que o Judiciário validasse os seus atos.
Na decisão proferida no mês passado, a Justiça anulou a última assembleia geral de credores e determinou o envio de cópia dos autos à Polícia para investigação de suspeita de delitos cometidos pela Fource na recuperação judicial do grupo Pupin.
“Encaminhe-se à autoridade policial cópia dos autos (…) a fim de que se apure eventual prática dos crimes de sonegação de informações e de favorecimento a credores”, escreveu o juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 1ª Vara Cível de
Campo Verde (MT).
Com a decisão, a Justiça reconheceu que o grupo Fource atuou nas duas pontas do pro cesso de recuperação. De um lado, foi contratado para administrar a recuperação judicial e implantar um plano de pagamentos dos credores. Do outro, tornou-se um das principais credo res do grupo Pupin, comprando créditos com deságio. Leia mais.
Fotos: Arquivo
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