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A equação não fecha: melhor governo com piores salários?

Em 8 anos, diante de uma inflação acumulada de quase 50%, governo decide “presentear” servidores com 5%

O governador Ratinho Jr (PSD), depois de tentar se projetar nacionalmente e anunciar que irá “cuidar da casa”, desistindo de sua aventura ao planalto, decidiu, após 8 anos, “lembrar” do funcionalismo público. Claro, de olho na eleição de um sucessor – que ele nem sabe quem é e que está sob alto risco – agora propaga aos quatro cantos que “A concessão da data-base é um compromisso que estamos cumprindo com seriedade” e que o “gasto” será de mais de R$ 1,5 bilhão de reais ao ano. Como se, ao longo de 8 anos de seu mandato não tivesse ignorado essa máxima e se valido do poder da caneta para congelar os salários e perseguir os servidores por todo esse período.

É de embrulhar o estômago! São mais de 250 mil servidores estaduais… Sabemos o que significa estar do lado de cá do balcão fazendo o máximo para atender a população do Paraná. Policiais, professores, educadores, médicos, enfermeiros, servidores sabem bem o que é conviver com a falta de equipamentos, falta de condições de trabalho, sem atendimento adequado à saúde, sob pressão intensa do governo para cumprir metas. Lembrando, ainda, que os citados são os menores salários do serviço público. Estamos falando de uma merendeira que trabalha 40 horas por semana em uma cozinha quente e insalubre, servindo “4 refeições” por dia para nossos estudantes e que recebe por isso pouco mais de R$ 2 mil reais de salário por mês. Estamos falando de um professor que, para receber cerca de R% 5 mil mensalmente, tem que lecionar 40 horas por semana, atendendo quase 40 alunos a cada 50 minutos em salas de aula precárias, superlotadas e sem ar-condicionado para suportar o calor intenso. Sem falar dos aposentados que trabalharam por anos servindo o povo, precisam continuar a pagar a previdência mesmo depois de se aposentar e também estão há 8 anos sem nada de reposição salarial ou reajuste.

O desabafo é de quem está hoje aqui na escola, sofrendo as pressões e a enxurrada de cobranças por números, relatórios, metas, prazos, quando o governo não honra sequer o que deveria – o que está na lei – que é pagar seus servidores decentemente, respeitar ao menos a reposição anual da inflação. Não é muito, para um Estado que abre mão de arrecadar R$ 20 bilhões em impostos por ano dos “amigos empresários”.
Mas há aqui que se destacar a garra destes servidores que, mesmo diante da pressão, do adoecimento, do desânimo se organizam e lutam. Dos sindicatos que mantém-se firmes na defesa dos trabalhadores, enfrentando, além das intempéries do clima na praça em frente ao Palácio Iguaçu, o trabalho intenso e desafiador de ter que ouvir deputados e interlocutores do governo que simplesmente odeiam o funcionalismo. São estes que após anos e anos de greves, cavalaria, bombas ainda veem na luta da categoria a esperança de mudança.

A nós que aqui estamos na ponta, atrás do balcão da escola, nas viaturas, nos postos de atendimento, nas salas de cirurgia cabe refletir, principalmente em ano eleitoral, quem elegemos para nos representar. Em quem depositamos nosso voto de dias melhores? Não adianta fazer campanha eleitoral e votar em políticos que nos atacam quando são eleitos e nos momentos de luta culpar a direção do sindicato por não avançar em determinadas pautas. O momento é de reflexão e retomada de consciência. Temos coragem de assumir isso?


(*) Luiz Fernando Rodrigues é funcionário de escola – agente educacional II em Maringá, formado em Marketing e especialista em Gestão Escolar. Foi secretário estadual de comunicação da APP-Sindicato

Imagem gerada por IA (Divulgação)

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