Menos erros, menos pessoas: O ciclo de retroalimentação negativa


A base desse processo é o uso de softwares que executam etapas antes desenvolvidas por pessoas
Um cenário socioeconômico elaborado pela Citrini Research (A crise global de inteligência de 2018 – Um exercício de reflexão sobre história financeira, a partir do futuro) me impactou, principalmente pelos eventos estudados e pelo curto prazo em que se consolidam: 2028. O quadro começa, aproximadamente, na seguinte situação: uma empresa que vendia automação de fluxo de trabalho estava sendo impactada por uma tecnologia superior. Sua resposta foi reduzir o quadro de funcionários e utilizar a economia para financiar a própria tecnologia que a estava pressionando.
Segundo a Atlassian, destacada empresa do setor, “a automação de fluxos de trabalho é a abordagem para automatizar processos comerciais, tarefas e fluxos em uma empresa com o mínimo de intervenção humana”. A base desse processo é o uso de softwares que executam etapas antes desenvolvidas por pessoas. No dia a dia, já sentimos isso no gerenciamento de projetos, onde inúmeras análises para tomada de decisão já estão automatizadas.
Menos erros, menos pessoas. Esse movimento é acompanhado pela lógica de investir cada centavo economizado com a redução da intervenção humana na própria ampliação da automação. Historicamente, sistemas bem-sucedidos em um campo são testados em outros até se tornarem hegemônicos. Um exemplo é o sistema de checklists: da aviação (para evitar erros em decolagens) à medicina cirúrgica, ele reduziu a mortalidade hospitalar e garantiu um processo de retroalimentação positiva para a segurança.
Contudo, ao retornarmos ao fluxo onde cada centavo poupado em recursos humanos é reinvestido no software, entramos em um processo de retroalimentação negativa sob a ótica humana. O ciclo termina na mesma posição em que começou: um caminho unidirecional de “menos erros, menos pessoas” e, consequentemente, desemprego.
Sabemos que o desemprego amplia custos sociais e compromete recursos estatais enquanto o consumo decai. Se o fenômeno é breve, os efeitos podem ser equacionados — essa tem sido a dinâmica dos últimos 40 anos. Porém, se as decisões de alto nível orientarem-se prioritariamente para expandir esse mantra até um horizonte sem retorno, o capital intelectual humano pode perder seu valor econômico. E os políticos, que deveriam dar respostas rápidas a essas situações, no geral demoram décadas para enfrentar um problema, e cujo horizonte está limitado à próxima eleição, podem não chegar a ela… e nós também não.
Foto: ArtPhoto_studio/Freepik
*/ ?>
