61 pessoas são presas em megaoperação

Grupo movimentou R$ 2 bilhões com jogos de azar; mandados também foram cumpridos em Maringá e Sarandi; foram sequestrados 132 veículos, 111 imóveis wmais de cem cabeças de gado

A Polícia Civil do Paraná prendeu 61 pessoas em uma megaoperação de combate a um grupo, de atuação nacional, voltado à exploração de jogos de azar. A ofensiva aconteceu entre ontem e hoje em 27 cidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás, por meio de um esforço conjunto com o Ministério Público do Paraná.

A operação contou com a participação de mais de 330 policiais civis e três aeronaves. O objetivo foi o cumprimento de 371 ordens judiciais, sendo, 85 mandados de prisão preventiva, 102 mandados de busca e apreensão, 184 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias visando o sequestro de R$ 1,5 bilhão.

Entre os presos estão as principais lideranças do grupo, dois vereadores e membros dos núcleos financeiro e operacional. Nos endereços alvos, os policiais apreenderam montantes em reais, dólares e euros, máquinas caça-níquel, armas de fogo, munições, celulares e documentos.

A PCPR também atuou para o cumprimento do sequestro de 132 veículos, avaliados em de mais de R$ 11 milhões, entre os quais dezenas de caminhonetes de diversas marcas, o sequestro de 111 imóveis, avaliados em mais de R$ 32,9 milhões, mais de cem cabeças de gado totalizando mais de R$ 43,9 milhões. Ainda, foram removidos da internet 21 sites de apostas ilegais.

A atuação dos policiais aconteceu em Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte, Londrina, Terra Boa, Curitiba, Goioerê, Cascavel, Cidade Gaúcha, Engenheiro Beltrão, Sabáudia, Marechal Cândido Rondon, Paraíso do Norte, Loanda, Medianeira, Faxinal, Apucarana e Alvorada do Sul (PR); Praia Grande e São Paulo (SP); Anápolis, Valparaíso de Goiás e Goiânia (GO); Caçador (SC); e Castanhal (PA).

A ofensiva é resultado de uma investigação de mais de três anos que teve início na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná. Na ocasião, foram apreendidos seis aparelhos eletrônicos que passaram por perícia técnica. As informações obtidas levaram à identificação de uma empresa, sediada em Apucarana, que criou um software para a transmissão dos jogos e o registro de informações relacionadas à atividade ilegal.

Ao longo das apurações, a PCPR e o MPPR analisaram mais de 2,6 terabytes de dados e mais de 520 mil operações financeiras, por meio de 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 afastamentos de sigilo fiscal. As medidas permitiram a identificação de um grupo criminoso responsável pela estruturação de um conglomerado empresarial, resultante da fusão entre dois dos maiores grupos dedicados à exploração de jogos ilegais no país: um paranaense e outro goiano.

Segundo o delegado da PCPR Ricardo Monteiro de Toledo estes são os dois maiores grupos em atuação no país, que se associaram para a prática de diversos tipos penais. “Os investigados firmaram parcerias com outras organizações criminosas para fornecer o sistema de jogo criado por eles, chegando a 19 estados brasileiros. Com isso, formaram um verdadeiro império financeiro, com alto poder aquisitivo, casas de altíssimo padrão, veículos de luxo avaliados em até R$ 700 mil.”

Atuando há mais de 10 anos de forma ordenada, o grupo possuía milhares de pontos de exploração de jogos ilegais, sendo 15 mil deles do jogo do bicho. Entre os crimes identificados estão organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais.

A fim de ocultar a origem dos montantes obtidos com as operações ilegais, os investigados se utilizavam de contas bancárias de laranjas, por meio das quais foram movimentados milhões de reais, com milhares de operações financeiras realizadas de forma consecutiva e sequencial a fim de ocultar a origem e o caminho percorrido pelos valores auferidos pelas diversas células criminosas.

De acordo com o delegado da PCPR Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 2 bilhões ao longo de quatro anos por meio de 522.753 operações financeiras. “O centro da lavagem de dinheiro era a cidade de Cianorte. Além dos laranjas, a ocultação desse patrimônio ilícito era feita por meio de fintechs e de empresas facilitadoras de pagamento”, afirma o delegado da PCPR Marcus Felipe da Rocha Rodrigues.

A investigação apurou ainda que os investigados mantinham uma empresa de T.I voltada para o desenvolvimento de sistemas e plataformas online de exploração de inúmeras modalidades de jogos de azar. Nessa empresa, atuavam diversos técnicos diuturnamente na manutenção de sites e softwares utilizados pelo empreendimento ilícito.

“Esse núcleo tecnológico foi responsável por criar um sistema que permitiu que as apostas passassem a ser realizadas por meio online. Além deste sistema, a organização operava por meio de diversas plataformas digitais utilizadas para viabilizar diferentes modalidades de exploração ilegal, incluindo apostas esportivas e jogos de azar online, como o Tigrinho”, pontua o promotor de Justiça do MPPR, Filipe Assis Coelho. (Assessoria/PCPR)

Foto: Adilson Domingues/PCPR