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Imagem e semelhança

O que buscam os senhores das armas e da tecnologia? A resposta, ainda que simplista, seria a mais óbvia possível: o poder

A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) é uma agência governamental norte-americana responsável por programas de exploração, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias espaciais. No dia primeiro de abril de 2026 enviou o voo tripulado que circundou a Lua, com o objetivo de testar sistemas vitais e validar tecnologias críticas de navegação e comunicação, visando futuras viagens ao nosso satélite natural. A missão transcorreu sem intercorrências e com precisão milimétrica, do lançamento ao retorno naturalmente complexo, mas mundialmente glamoroso. Essa é uma mostra evidente de que o ser inteligente busca incessantemente o desconhecido como forma de autoafirmação em sua condição de superioridade sobre as demais espécies animais.

É inegável a supremacia presente no intelecto humano. A inesgotável capacidade de improvisação a qualquer adversidade repentina concede aos seres inteligentes ilimitados poderes para preservação da integridade física, no momento em que consegue analisar diferentes situações de ameaças, definindo estratégias de proteção. As sagradas escrituras ensinam que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, para que dominasse tudo o que vive nos céus, na terra e na água. Evidentemente que essa passagem bíblica deve ser compreendida no sentido literal da palavra, porque a intenção divina seria dotar os seres humanos com características racionais, morais, emocionais e espirituais que refletem o caráter de Deus, com capacidade de amar, criar e ter livre arbítrio, diferenciando-os, portanto, das demais criaturas.

Ocorre que nossas ambições como ser dominante não respeitam limites. Qual o interesse em estabelecer uma base de operações na superfície lunar, reconhecidamente ambiente inóspito e desprovido de quaisquer recursos? Ou em Marte, cuja atmosfera não permite vida da forma como a conhecemos e pela distância extrema, muito provavelmente jamais será colonizado por hominídeos? O que buscam então, os senhores das armas e da tecnologia? A resposta, ainda que simplista, seria a mais óbvia possível: o poder. E de que forma ele seria viabilizado? Teoricamente através de uma poderosa arma de raios laser ou algo similar, refletida diretamente do solo lunar e direcionada a alvos específicos na superfície terrestre, utilizada como elemento de dissuasão, de moderação ou mesmo de contenção, garantindo a hegemonia da nação expansionista. Mas isso são apenas ilações futuristas.

Os astronômicos recursos aplicados nessa missão espacial e em outras iniciativas muito menos nobres são efeitos diretos do cenário geopolítico atual, perigosamente instável. Que demanda cifras bilionárias, despejadas com intuito de manter a segurança das nações por conta dos conflitos bélicos ativos em diferentes regiões do planeta. Nota-se que os países desenvolvidos preferem produzir mísseis a destinar verbas para pesquisas científicas voltadas às áreas de saúde. Tratamentos para moléstias como câncer, Alzheimer e tantas outras poderiam ser viabilizadas, assim como o desenvolvimento de equipamentos eletrônicos como exoesqueleto controlado por inteligência artificial, visando amenizar o sofrimento de pacientes com deficiências de mobilidade. Ou ainda, a assistência a programas de combate a desnutrição crônica, que assola diferentes nações em desenvolvimento.

Se o Criador nos concebeu à sua imagem e semelhança, não se apercebeu do poder imensurável da criatura escolhida para dominar o planeta. Seremos, pois, eternos reféns da iniquidade humana.    


José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR.

Imagem: Reprodução

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