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Meia-volta, volver!

Hierarquia e disciplina, exercitadas em quaisquer ambientes e não apenas no meio militar têm poder para alicerçar sentimentos delimitadores e formadores da personalidade e do caráter

Os pilares basilares da caserna se resumem em dois quesitos essenciais: hierarquia e disciplina. Além do fardamento e do armamento, uma das singularidades que caracterizam o militarismo é a marcha, que incorporada a outros movimentos recebe a denominação de ordem unida. Esse deslocamento notadamente elegante é precedido por comandos previamente convencionados e de pleno conhecimento da tropa, que pode ser emitido por voz ou corneta. Essa ordem deve ser clara, precisa e com decibéis suficientemente audíveis. A simetria de uma marcha ou movimentos de militares depende de alguns fatores específicos como treinamento constante, condicionamento mental e principalmente disciplina. Aliás, esse é um sentimento primordial para garantir a perfeita sincronia de uma marcha.

A mesma disciplina praticada comumente nos aquartelamentos, guardadas as devidas proporções de austeridade, intensidade e finalidade é oferecida aos jovens em escolas cívico-militares de alguns entes federados do País. A alta demanda por matrículas supera a oferta de vagas, o que evidencia a aprovação da sociedade nesse tipo de iniciativa. Idealizadas para atender o ensino fundamental e médio, essas instituições públicas com gestão compartilhada entre educadores civis e militares são focadas em hierarquia, disciplina e valores cívicos. Valores esses carentes em nossa juventude, acostumada com todo tipo de excentricidades, direitos desproporcionais e concessões exageradas, exigências distantes de suas responsabilidades como ente familiar. É fato comprovado de que alunos inseridos nesse programa governamental apresentam aumento significativo no desempenho das disciplinas de matemática e português, além da redução nas taxas de reprovação. Pais e responsáveis relatam mudanças efetivas de comportamento e relacionamento dos jovens, resultado evidente do acatamento e da aceitação aos novos parâmetros de ensino, voltados à formação de cidadãos íntegros e honrados.

Na contramão desses dados altamente positivos, o presidente da República afirmou que o Brasil não precisa de escolas cívico-militares e que esse tipo de ensino é importante para os estudantes que querem seguir a carreira militar, com uma formação voltada para a vida nas Forças Armadas. Assim se posiciona a esquerda nesse País. Ignorando resultados, o recorrente ranço ideológico é colocado em prática ao obstar uma parceria reconhecidamente exitosa. Um verdadeiro líder, um estadista efetivamente preocupado com o desenvolvimento de sua nação haveria de carregar consigo discernimento suficiente para compreender a dimensão e o alcance de suas ações, porque a educação é a base de uma sociedade, independentemente de salutares e necessárias dissonâncias partidárias. Ao refutar a perenidade dos colégios cívico-militares, o governo atual perde a oportunidade de incrementar ainda mais o programa e de quebra, amealhar importantes dividendos políticos.  

Os resquícios do regime militar parecem incrustados permanentemente na esquerda atual. Que despreza as evidências de que hierarquia e disciplina, exercitadas em quaisquer ambientes e não apenas no meio militar têm poder para alicerçar sentimentos delimitadores e formadores da personalidade e do caráter. Resta aos eleitores, portanto, em época oportuna marchar resolutamente em direção a mudanças, inspiradas naquela poderosa voz de comando da democracia: “meia-volta, volver!”.


(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR.

Foto: Agência Minas Gerais

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