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O silêncio reina na Vila

Já se ouvem apostas discretas. Não sobre medalhas. Mas sobre permanências.

Na mais recente edição da tradicional corrida que atravessa as ruas de uma importante cidade do Paraná, evento já elevado à categoria de patrimônio sentimental, tudo parecia correr conforme o roteiro: medalhas reluzentes, discursos ensaiados e cifras robustas que fariam qualquer atleta acelerar o coração.

Milhões foram investidos. Um espetáculo digno de aplausos, diriam alguns.
Ainda que, em conversas sussurradas nos corredores do poder, se ouça que certos esportes da cidade, como o voleibol, que leva o nome local a competições internacionais, sobrevivem com menos pompa e mais suor.

Mas o verdadeiro espetáculo, caros leitores, não ocorreu na linha de chegada.
Aconteceu nos bastidores.

Há quem diga, sempre há, que um boletim de ocorrência foi discretamente registrado. Motivo? Um episódio, no mínimo, curioso: a utilização indevida da imagem de um parlamentar de peso no Paraná para fins de promoção durante o evento.

Uma gentileza política?
Um entusiasmo desmedido?
Maldade dos opositores?
Ou apenas coincidência eleitoral em ano sensível?

Perguntas, perguntas. Sempre perguntas.

O que se comenta nos cafés e nos grupos de mensagens, que fervem mais que panela de pressão, é que dados teriam circulado com uma facilidade quase olímpica. Informações que, segundo cochichos persistentes, se bem utilizadas, valeriam ouro em período eleitoral.

Até agora nada foi comprovado, e o B.O. também não teve andamento.
Mas o episódio foi suficientemente intrigante para levantar sobrancelhas bem treinadas.

Enquanto isso, um ato de vandalismo ocorrido durante a prova tentou roubar a cena.
Tentou, e falhou. Porque o silêncio que se seguiu foi ainda mais estrondoso.

Nenhuma nota firme de entidades.
Nenhuma manifestação enérgica de sindicatos.
Nenhuma palavra, sequer protocolar, da autoridade máxima do Executivo local.

Silêncio.

E, meus caros, o silêncio, na política, raramente é ausência de som.
É estratégia.

Nos bastidores esportivos, outra inquietação ganha musculatura: a percepção de que certas modalidades recebem atenção privilegiada, enquanto outras aguardam na arquibancada, observando de longe a distribuição de recursos e prestígio.

O karatê, dizem alguns, tornou-se o queridinho da gestão.
Coincidência administrativa?
Afinidade pessoal?
Ou simples prioridade técnica?

Mais uma vez, perguntas. Sempre elas.

Porque, no fundo, o esporte, esse território onde se celebra união, disciplina e superação, também é palco de alianças, disputas e sobrevivência política.

E quando interesses se cruzam, a linha entre incentivo e conveniência pode ficar perigosamente tênue.

Resta saber:
o que sustenta tamanha confiança?
Resultados?
Lealdades?
Ou relações que resistem a qualquer tempestade?

Nos salões onde as decisões realmente acontecem, já se ouvem apostas discretas.
Não sobre medalhas.
Mas sobre permanências.

E a pergunta que ecoa, com elegância, mas com firmeza, é inevitável: Até quando esse silêncio continuará sendo suficiente?

Porque, em política, meus queridos, o que derruba não é o barulho.
É o acúmulo de perguntas sem resposta. E estas, acreditem, estão apenas começando.

Daquela que não se cala diante da corrida do poder,
Madame Savage.

Imagem gerada por IA

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