Líder da Oposição na Alep mostrou que trajetória do ex-juiz foi pautada por holofotes, e não por justiça
O deputado estadual Arilson Chiorato, líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná e presidente do PT-PR, utilizou a tribuna nesta segunda-feira para retomar o caso Banestado e mostrar a atuação falha de Sergio Moro (PL), quando era juiz. Para o deputado Arilson, o episódio ajuda a entender a origem de um modelo de investigação baseado em holofotes, que o projetou nacionalmente com a Operação Lava Jato. É importante lembrar que nos dois casos o Supremo Tribunal Federal identificou ilegalidades na atuação do ex-juiz.
Sergio Moro atuou como juiz federal em processos ligados ao caso Banestado, esquema de corrupção ocorrido no Banco do Estado do Paraná na década de 1990. Anos depois, a partir de 2014, conduziu a Operação Lava Jato, investigação que também teria como foco crimes financeiros e casos de corrupção. O caso Banestado teve a sentença anulada pelo STF em 2020. Na decisão, os ministros entenderam que houve quebra de imparcialidade na sentença.
Sobre a Lava Jato, a Vara de Curitiba foi considerada incompetente para julgar o caso. Além disso, no caso de Lula, o STF, por sete votos a quatro, declarou a suspeição do Sergio Moro, que colocou sua paixão política, mais uma vez, à frente da Justiça. Na avaliação do deputado Arilson, esses casos só reforçam um padrão de agir: muito espetáculo, e pouca verdade.
“O caso Banestado revela como esse método começou, e não podemos fingir que isso não aconteceu em outros momentos”, afirmou o líder da Bancada de Oposição.
O parlamentar destacou que o caso Banestado segue presente na memória política do Paraná, assim como as manobras jurídicas da Lava Jato. O deputado Arilson avalia que a história do Banestado não pode ser tratada como algo encerrado, já que influenciou a economia e a política estadual.
Caso Banestado e evasão de recursos – O deputado Arilson relembrou que o escândalo envolveu o envio de bilhões de dólares ao exterior por meio das contas CC-5. Esses instrumentos foram criados para operações legais, mas acabaram sendo utilizados para remessas irregulares e evasão de divisas. O fluxo de recursos passou por instituições financeiras internacionais e chegou a paraísos fiscais.
Na avaliação do líder da Oposição, parte desses valores poderia ter sido direcionada para políticas públicas e investimentos no Paraná. Ele também afirmou que nem todos os envolvidos foram responsabilizados de forma proporcional à dimensão do caso. “Recursos que poderiam gerar emprego e desenvolvimento foram parar fora do país, enquanto muita gente poderosa escapava”, disse.
O parlamentar citou episódios que marcaram a condução das investigações, como a prisão do doleiro Alberto Youssef em um cemitério no Dia de Finados, em Londrina, e a exumação de um cadáver durante o processo. Conforme o deputado Arilson, esses acontecimentos evidenciam a forte repercussão pública das operações.
O líder da Bancada também mencionou o papel de Youssef no Banestado e a posterior atuação como, novamente, delator na Operação Lava Jato. Segundo o deputado Arilson, a repetição do personagem em diferentes investigações ajuda a entender a continuidade de práticas ao longo do tempo.
“Os mesmos personagens e o mesmo roteiro se repetem. Isso mostra que não estamos falando de casos isolados, mas de um modelo que foi sendo reaproveitado ao longo dos anos”, afirmou.
Atuação no Senado – O deputado Arilson ainda questionou a atuação de Sergio Moro no Senado. O petista afirmou que, após mais de três anos de mandato, não identifica iniciativas relevantes voltadas à segurança pública ou ao combate à corrupção no Paraná. O parlamentar também citou a ausência de posicionamento em temas estratégicos para o estado.
Entre os exemplos, mencionou a falta de debates sobre a Copel e o modelo de pedágio. Há uma diferença entre o discurso político e a atuação prática nesses temas, de acordo com o deputado Arilson. Ele avalia que a população espera resultados concretos e participação efetiva nas pautas locais.
O deputado Arilson defendeu que o combate à corrupção seja conduzido com base em provas, respeito à lei e imparcialidade. Segundo ele, relembrar o caso Banestado é uma forma de preservar a memória e evitar a repetição de erros que marcaram a história recente do país.
“O Paraná não pode esquecer o que aconteceu. Quem esquece o Banestado corre o risco de cair na mesma narrativa de novo”, concluiu. (Assessoria)
Foto: Valdir Amaral/Alep
