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Ary Oriel Almada (1929-2026)

Morre no Rio de Janeiro um dos fundadores da ABBB em Maringá (na foto, recebendo de Helena Marques de Almeida Trzeciak uma homenagem pelos 50 anos de fundação da associação, em novembro de 2010)

Faleceu hoje, aos 96 anos de idade, Ary Oriel Almada, funcionário aposentado do Banco do Brasil. Ele trabalhou na agência 352-2 Maringá entre 1957 e 1964, quando retornou ao Rio de Janeiro.

Em Maringá, em 1959, casou-se com Aparecida Taborianski, irmã do também bancário Aristides Taborianski e, junto com outros 56 colegas, fundou a AABB Maringá, em 15 de novembro de 1960. Ary era o decano dos funcionários que trabalharam no BB Maringá, informa Marco Antonio Deprá.

Seu corpo será velado amanhã, 1º de maio, das 11 às 14 horas, na Capela 2 do Cemitério Memorial do Carmo, localizado na rua Monsenhor Manoel Gomes, 287, Caju, Rio de Janeiro (RJ).

Biografia – Mineiro de Cataguases, Ary Oriel Almada nasceu em 13 de novembro de 1929. Vinte anos depois foi para o Rio de Janeiro trabalhar no Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Em 1952 passou no concurso do Banco do Brasil, onde começou a trabalhar no dia 3 de maio.

Corria o ano de 1957 e Almada continuava no Rio, então capital federal, lotado na Direção Geral do banco. Naquele ano surgiu a oportunidade de trabalhar na agência 352-2 Maringá por 60 dias como adido, ou seja, funcionário transferido temporariamente de uma dependência para outra que estivesse com carência de pessoal. Solteiro, com 28 anos, o jovem topou a parada. “Gostei tanto que acabei ficando em definitivo e me casando, em 1959, com a bela maringaense Aparecida Taborianski, com quem estou casado até hoje”, relembra.

Almada chegou de avião em outubro. Embora a pista fosse de terra e a estação de passageiros um barracão de madeira, o aeroporto era movimentado e recebia aviões grandes tipo DC3, da Real Aerovias e da Vasp, vindos do Rio e de São Paulo.

A terrível poeira vermelha e o barro excessivo que atolava a cidade quando chovia causaram estranheza ao recém-chegado. Apenas um pequeno trecho do centro, precisamente a avenida Getúlio Vargas, entre a Catedral e a Praça Raposo Tavares, tinha calçamento.

Outra característica da cidade impressionou o jovem: a quantidade de agências bancárias estabelecidas – 25 no total, sendo que em cidades importantes e antigas de Minas Gerais, estado natal de Almada, não havia mais do que cinco.

A explicação era simples. “Corria muito dinheiro por aqui. A região de Maringá era um dos maiores centros produtores de café do Brasil”, conta. 

Na década de 1950, Maringá possuía dois clubes sociais e esportivos frequentados por pessoas de maior poder aquisitivo – o Maringá Clube e o Clube Hípico – e dois mais populares – o Aero Clube, de madeira, e o Grêmio dos Comerciários. Ambos promoviam festas e bailes animadíssimos, inclusive no carnaval.

Para agitar mais ainda a vida social da cidade, alguns colegas do Banco do Brasil – Eloysio Pereira Vianna, Élvio Lemos, Edgard Ferreira, Benjamim Pinto de Oliveira, Francisco José Martini e o próprio Almada criaram informalmente o que seria o embrião da futura AABB: o Nosso Clube, que passou a promover no Salão Amarelo do famoso Grande Hotel de Maringá, às 10 horas do domingo, concorridíssimas matinês dançantes com música ao vivo da melhor qualidade. O sucesso foi imediato e essas domingueiras tornaram-se as grandes atrações da cidade, a tal ponto do bispo Dom Jaime Luiz Coelho pedir para mudar o horário, pois estavam interferindo na frequência da missa. “A igreja era em frente ao Grande Hotel e muitos jovens saíam diretamente da missa para a domingueira”, diz ele. Almada garante que até a famosa cantora Hebe Camargo se apresentou em uma das reuniões. As atividades do Nosso Clube duraram até meados de 1961.

Em 1960, Almada e alguns colegas do banco, entre eles Irineu Escudero, começaram a estudar a possibilidade de fundar a AABB de Maringá. Nas cidades onde possuía agência e de acordo com o regulamento interno, o Banco do Brasil incentivava a criação de associações sociais e esportivas que congregassem os funcionários e suas famílias, concedendo, inclusive, auxílio financeiro e subvenções para tal fim. A formalização da associação se deu em novembro daquele ano. Almada suspeita ter sido o autor da sugestão que definiu 15 de novembro como o dia para lembrar o aniversário da AABB, por duas razões: a data comemora a Proclamação da República e a fundação de outra gloriosa instituição esportiva brasileira – o Clube de Regatas do Flamengo, do Rio de Janeiro.

Durante o período em que morou em Maringá, Almada participou de algumas das diretorias da AABB sempre em postos secundários, pois nunca gostou muito de aparecer e, como ainda hoje ocorre, tinha pavor de falar em público.

“Acho que dei uma boa contribuição para que a AABB de Maringá se tornasse realidade. Conheço algumas associações por esse Brasil afora e posso assegurar que a de Maringá é uma das melhores.”

A pedido próprio, Almada voltou para a Direção Geral do Banco do Brasil em 1964, onde ficou até novembro de 1966, ano em que foi requisitado para trabalhar no Banco Central do Brasil, criado em 1965. No BC trabalhou até 1979 e aposentou-se no Rio de Janeiro, depois de ter servido o banco em Brasília.

Texto de Juliana Daibert em 20 de novembro de 2010 no livro “Associação Atlética Banco do Brasil – Maringá: meio século de história”, escrito por Roldão Alves de Moura e Marco Antonio Deprá

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