Câmara suspende exposição

Obras do artista José Antonio Firmino foram retiradas; Legislativo alega reação de visitantes e funcionários e que vai rever protocolos

Aberta no final de abril, no hall de entrada da Câmara Municipal de Maringá, a exposição Ponto Final, com obras do artista José Antonio Firmino, foi suspensa por decisão unilateral da presidência do Legislativo.

No dia 27 a Câmara distribuiu informou sobre a mostra de José Antônio Firmino, destacando que a exposição era um convite à reflexão sobre a vida, repetindo uma frase sempre utilizada pelo artista, “Viva hoje, amanhã nem aconteceu”, é apresentada na mostra como um convite à reflexão sobre a vida. A exposição, acrescentava incentivava o público a valorizar o presente, reconhecer a importância de cada momento e fortalecer sentimentos de esperança, cuidado e atenção à vida. Recomeços, superação e enfrentamento dos desafios cotidianos, enfim.

Ontem o artista foi notificado de que a exposição foi suspensa, em tese porque apresentava abordagens violentas e isso afetaria crianças que passam pelo local. Os trabalhos retratavam temas atuais, como violência doméstica, e antigos, como os falsos suicídios durante a ditadura. Firmino disse estar triste com a suspensão, especialmente por conta do tratamento que se dá à cultura em Maringá. Lembrou que existiam meios de limitar a visitação, como adotado em museus e galerias. Em rede social, ele alegou que a mostra foi censurada. Eventuais medidas restritivas deveriam ter sido tomadas antes pelos organizadores, diz outra figura da cultura maringaense, que testemunhou nunca ter visto algo semelhante.

Em nota, a Câmara de Maringá disse que a decisão de suspender a exposição também se baseou na reação de funcionários e foi fundamentada “na necessidade de adequação logística e estrutural do ambiente. Por ser um local de livre circulação, o espaço expositivo atual permite o acesso direto de públicos diversos, incluindo crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade. Considerando que as obras abordam o tema sensível do autoextermínio e a reação de visitantes e funcionários, a instituição identificou a necessidade imperativa de implementar: classificação indicativa rigorosa; espaço reservado e sinalização de alerta; mediação técnica adequada; protocolos de saúde pública e suportes de apoio psicossocial”.

“A suspensão é uma medida cautelar que visa garantir a segurança emocional dos visitantes e a integridade do público. Reiteramos nosso compromisso inabalável com a liberdade de expressão e com o trabalho de José Antônio Firmino, reafirmando a relevância social de sua obra. A Câmara Municipal já iniciou a revisão de seus protocolos internos e a busca por soluções técnicas para que a mostra possa ser viabilizada dentro das normas de segurança e acolhimento adequadas”, finaliza a nota.

Foto original: Marquinhos Oliveira/CMM