Os britânicos e a construção da paisagem norte paranaense


Mesmo com a crescente especulação imobiliária e a descaracterização do projeto original, Maringá resiste com seu traçado de cidades jardim inglesas
Um belíssimo livro que mostra o planejamento das cidades do norte do Paraná. Proveniente de um modelo inglês, como diz o autor, o doutor em arquitetura e professor Renato Leão Rego: “Ideias britânicas de planejamento urbano e regional influenciaram todo o esquema da colonização do norte do Paraná”. “A paisagem lá construída pela empresa britânica ‘Parana Plantations Limited’ refletiu o que então se discutia na sociedade londrina e se aplicava amplamente no seu universo colonial”, acrescenta ele, afirmando que o objetivo da ‘Parana Plantations’ era vender os lotes rurais e implementar o transporte ferroviário da produção agrícola.
A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), sucessora da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), reconheceu o modelo de cidades imaginadas por Ebenezer Howard, idealizador do conceito de “Cidades Jardim”. Modelo urbanístico que combina os benefícios da vida rural com a urbana. O engenheiro e urbanista Jorge de Macedo Vieira, que projetou Maringá, trabalhara com Barry Parker, simpatizante das ideias de Howard. Macedo Vieira conhecia a atuação do Town and Country Planning (Planejamento Urbano e Rural). Um sistema de planejamento governamental britânico, que regula o uso do solo, equilibrando desenvolvimento econômico e qualidade ambiental.
A Companhia Melhoramentos seguiu o modelo inglês com cidades principais e subsidiárias, iguais as cidades satélites inglesas. O mesmo se deu com os chamados cinturões verde. Termo que se refere às cidades jardim, áreas em torno delas compreendidas entre as zonas urbana e rural. Os mapas do norte do Paraná de 1934 evidenciavam esses marcos. “Portanto, o que havia sido discretamente implantado pelos britânicos acabou sendo enfatizado pelos seus sucessores no empreendimento, em consonância com as modernas ideias britânicas de planejamento urbano”, afirma Leão Rego.
Da mesma forma Cianorte. Macedo Vieira também a projetou, “produzindo uma nova conformação urbana a partir das mesmas características anteriormente aplicadas por ele no desenho de Maringá”. Após os anos 1950, no entanto, a Companhia Melhoramentos fundou uma série de patrimônios desvinculados da via férrea destoando do conjunto inicial de cidades fundadas pelos britânicos. Maringá seguiu como modelo vinculado às ideias urbanísticas britânicas. “O seu primeiro grande empreendimento urbano foi Maringá, uma cidade situada no coração das terras da companhia, junto à linha do Trópico de Capricórnio”, frisa o autor.
Mesmo com a crescente especulação imobiliária e a descaracterização do projeto original, Maringá resiste com seu traçado de cidades jardim inglesas. Assim, o projeto do sorridente Macedo Vieira, que tinha estreita relação com as ideias do urbanismo inglês, sobrevive. Embora muito tenha se perdido. Inclusive, o reconhecimento à figura de Macedo Vieira. Pouco estudado, falado e lembrado. Eis a importância deste livro, que aborda o assunto em suas diversas nuances. Merece ser lido. Especialmente, por você, que é o norte do Paraná. Procure nos melhores sebos: “As cidades plantadas – os britânicos e a construção da paisagem do norte do Paraná”.
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