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Meu Brasil, muito obrigado!

Por A. A. de Assis

Meu Brasil, muito obrigado!
Primeiro porque eu nasci brasileiro
e depois por tudo o mais,
pela beleza, pela alegria, pela paz,
pela esperança e por todas as certezas
que você, Brasil, me infunde no coração!

Muito obrigado pela terra dadivosa,
pelas delícias desse clima alegre e tropical,
pelo céu que esbanja estrêlas,
por essa lua boêmia e seresteira,
pelo fascínio desse imenso litoral
que tem as areias de Iracema,
que tem as areias feitiçeras da Bahia,
que tem Copacabana, que tem Ipanema,
que tem Guarapari, Icaraí, Marataízes,
que tem Mangaratiba, Cabo Frio, Macaé,
que tem Araruama, Saquarema e Maricá,
que tem Santos, São Vicente, Guarujá,
que tem Camboriú que bebe os ventos lá do Sul!

Muito obrigado pelas praias e também pelas montanhas,
por Teresópolis, por Friburgo e por Petrópolis,
pela Mantiqueira, pela Serra do Mar,
pela serra e pelo mar, meu Brasil, muito obrigado!Muito obrigado pelos rios: o Amazonas,
São Francisco, Paraíba, Paraná, pelo Ivaí,
nosso vizinho que fica perto, bem ali…

Muito obrigado pelo ritmo do samba irrequieto,
que mexe, remexe, que bole, rebola,
que desce do morro com uma enxurrada de alegria
e esparrama na avenida um colorido carnaval.
Muito obrigado pelos tamborins, pelos pandeiros,
pelas cuícas, pelos bumbos,
pelo sorriso de milhões de brasileiros!

Muito obrigado, meu Brasil, pelo progresso,
pela energia que move as nossas fábricas
e enche de luz as casas de meus patrícios, meus irmãos.
Muito obrigado pelas modernas rodovias
que vão pintando Brasil a dentro
a tira de asfalto que se espicha mergulhando no infinito.
Muito obrigado pelas grandes siderúrgicas
que cozinham nos seus fornos
o metal sedento de gerar o desenvolvimento.
Muito obrigado pela pedra e também pelo cimento
com se juntam para fazer côcegas nas nuvens
com os arranha-céus de nossa engenharia prafrentex.
Muito obrigado pelos automóveis, pelos aviões,
pelas motonetas e os tratores, os jipes e caminhões,
pelos navios de bandeira verde-amarela
que rasgam os mares do mundo levando coisas desta terra,
pelos trens que apitam avisando que lá vai riqueza,
pelo petróleo que brota cada vez mais do nosso chão,
muito obrigado, Brasil do meu coração!

Muito obrigado pelas jogadas de Pelé
fazendo tabelinha com Tostão,
pelo chute sensacional do Rivelino,
pelo Félix, Everaldo, pelo Brito e Jairzinho,
pelo fabuloso Gerson, por Piazza e Clodoaldo,
por todos êsses “cobras”, meu Brasil, muito obrigado!

Muito obrigado pela música de Roberto Carlos,
pelas canções de Tom Jobim, de Dorival Caymmi,
pela Banda do Chico Buarque de Holanda,
pela samba de Ataulfo e de Noel,
por Edu Lobo, Caetano, Jorge Ben, por Simonal!

Muito obrigado pelas Cataratas do Iguaçu,
Por Sete Quedas, Paulo Afonso, meu Brasil, muito obrigado!

Muito obrigado pela terra abençoada
onde, em se plantando, tudo dá.
Dá café, arroz e soja, dá milho e dá feijão,
dá trigo, dá mamona, dá rami, dá algodão,
dá mandioca, dá batata, dá laranja e dá limão,
dá tomate mil verduras e mil frutas, girassol.
Muito obrigado pela chuva e pelo sol!

Muito obrigado por Chico Anísio e Juca Chaves,
pela Dona Hebe e por Chacrinha e por Cidinha,
pelo Golias, Ari Toledo, por essa gente
que faz o povo se sentir contente!

Muito obrigado pelas flôres,
pelas crianças que caminham para a escola,
pelos rapazes que gostam de tocar guitarras,
pelos que animam a vida com bailes e outras festas,
pelos que cantam, pelos que dançam, pelos que amam.

Muito obrigado, meu Brasil,
pelas oportunidades que temos de encontrar trabalho,
pela compreensão que existe entre governantes e governados.
Pelo senso natural de solidariedade;
obrigado pela ordem, pela paz e a liberdade.

Muito obrigado porque somos todos muito irmãos,
porque não temos preconceitos
e porque sabemos espontâneamente dar as mãos!

Muito obrigado, meu Brasil,
por tudo, tudo mesmo, mas principalmente,
porque sou brasileiro,
graças a Deus, meu bom Brasil, sou brasileiro!

(*) Texto publicado na revista Norte do Paraná, editada em Maringá, em 1970, mantida a ortografia da época.

Foto: Correio da Manhã

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