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A rebelião de Ilha Anchieta e a temida dupla “Diabo Loiro” e “Carne Seca”

Um documento fundamental para entender como “se fabricam bandidos”


Desenvolvo uma pesquisa para meu próximo livro sobre a história de “Diabo Loiro” e “Carne Seca”, bandidos que aterrorizaram o norte e o do Paraná, na década de 1950. Por conta disso, estou lendo alguns livros relacionados ao tema. Um deles, que terminei de ler, é “Rebelião e reforma prisional em São Paulo”. Escrito pelo professor e doutor em História, Dirceu Franco Ferreira. Um documento fundamental para entender como “se fabricam bandidos”. Ele foca na rebelião da prisão de Ilha Anchieta. “Diabo Loiro” foi um dos presos que formaram a linha de frente do levante e fugiram.

O livro dele faz uma radiografia desse assunto, que foi pouco investigado. A prisão, denominada Instituto Correcional da Ilha Anchieta (ICIA), se localizava no litoral norte do estado de São Paulo, no município de Ubatuba. Ficava a 700 metros do continente e abrigava 453 presos. Com uma segurança fragilizada de apenas 20 praças da força pública e 20 funcionários, alguns moravam no local. Na rebelião, que ocorreu na manhã de 20 de junho de 1952, 129 presos chegaram à praia de Ubatuba, dos quais 108 foram recapturados, 15 morreram e seis foram dados por desaparecidos.

Contudo, são dados oficiais. A imprensa da época divulgou que houve um massacre sem precedentes no local. Os presos tentaram fugir nas poucas canoas existentes. Muitos não conseguiram por falta de embarcação e foram mortos pelos companheiros de cela. Pelo que narra Franco Ferreira, a prisão de Ilha Anchieta era um depósito humano. Sem a mínima condição de humanização dos detentos. A péssima alimentação e a constante tortura, praticada abertamente pelos agentes penitenciários, transformaram o local num inferno. A rebelião, portanto, era questão de tempo.

Muito bom o livro de Franco Ferreira. Quem quiser entender mais do conturbado sistema prisional brasileiro precisa lê-lo. Sobre “Diabo Loiro” e “Carne Seca”, aguardem meu livro. Estou imerso na pesquisa. Com certeza, será um livro farto de informações sobre a famosa dupla que aterrorizou o norte e o noroeste do Paraná, na década de 1950.

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