Sonhemos, mas de olhos abertos

Admitamos, se a Seleção Brasileira precisava realmente de um técnico estrangeiro para entrar nos eixos

Depois do 1×2 do Maracanaço, em 1950, e do 1×7 do Mineirão, em 2014, fica difícil acreditar que coisas piores posam nos acontecer, mas… O importante nessa convocação de Ancelotti são as presenças de Neymar e o goleiro Weverton. Neymar por ser o único craque que o Brasil tem na atualidade. Weverton por ser melhor que todos os outros goleiros. Ele só não é titular há muito tempo porque não joga em clubes da Europa.

O clima da Copa chegou e o Brasil já está de chuteiras, mas vestindo a camisa dos ressentidos técnicos brasileiros, não se pode esquecer que Carlo Ancelotti mal chegou ao Brasil e já quebrou um recorde. Conseguiu ser o primeiro técnico da Seleção Brasileira a perder um jogo para a Venezuela na casa dos venezuelanos…

Maledicências à parte, tem-se que reconhecer a capacidade de Ancelotti de fazer equipes europeias jogarem bem, mas convenhamos, uma seleção nacional propriamente dita, ele nunca treinou. Foi apenas auxiliar técnico de Arrigo Sacchi, de 1992 a 1995 e teve o desprazer de ver a Itália perder pela segunda vez uma Copa do Mundo para o Brasil, depois da do México, em 1970. Isso na final da Copa de 1994, em Pasadena, Califórnia, EUA, para uma Seleção brasileira comandada por Carlos Alberto Parreira, que não era nem sombra das de 1970, com muitos craques, mas extremamente burocrática e que pela primeira vez levou uma decisão para os pênaltis.

O que Acelotti já treinou de verdade foram muitas “seleções do mundo”, sendo técnico de clubes ricos da Europa, cheios dos mais caros jogadores, todos comprados e assalariados com o dinheiro do petróleo árabe e dos oligarcas que precisam arear as fortunas. Porém, admitamos, se a Seleção Brasileira precisava realmente de um técnico estrangeiro para entrar nos eixos, seria difícil encontrar alguém melhor do que Ancelotti para ser o dito cujo. O que ele não fala, mas deve lamentar, é que depois de ter passado todo o tempo, desde que é técnico, tendo o sonho de estar no banco da Amarelinha, só se sentou nele agora, exatamente no momento mais difícil da Seleção.

Ganhando uma montanha de dinheiro que a maioria dos brasileiros nem saberia contar, mais do que qualquer outro, Ancelotti se mostra confiante, mas sabe que em 2026, com os “craques” que o Brasil tem, o osso vai ser duríssimo de roer. No fundo, é difícil acreditara que seja tão otimista como quer parecer. Apesar do barulho que fazem, com essa seleção, aos brasileiros só resta torcer e sonhar de olhos bem abertos, para que não se repita o que aconteceu em 1950 e 2014.

O objetivo continua sendo o hexacampeonato, mas ser campeões morais, como em 1978, quando o presidente da Argentina, o general Jorge Rafael Videla, mancomunado com os peruanos nos garfou aquele que seria o quarto o título, já seria um fato digno de comemoração… Legenda: Barbosa, vítima do primeiro pesadelo


(*) Antonio Carlos Moretti é jornalista

Foto: Rafael Ribeiro/CBF