Feira agropecuária reciclou mais de 4,5 toneladas de materiais, implantou monitoramento ambiental e deixou legado com o plantio de 250 árvores nativas
Mais do que movimentar a economia, fortalecer o agronegócio e reunir milhares de visitantes, a Expoingá 2026 consolidou um novo modelo de grandes eventos sustentáveis no Brasil. Sob a liderança da Sociedade Rural de Maringá, o Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro se tornou palco de uma ampla operação ambiental que uniu inovação, responsabilidade ecológica e impacto social positivo.
O principal destaque desta edição foi a implantação do selo “Aterro Zero”, iniciativa inédita que garantiu que nenhum resíduo orgânico gerado durante a feira fosse destinado a aterros sanitários. Ao longo dos dez dias de evento, cerca de 30 toneladas de resíduos orgânicos e de origem animal foram coletadas e processadas dentro do próprio parque por meio da usina compacta Bioforge, transformando o material em adubo orgânico de alta qualidade.
A estratégia ambiental da Expoingá foi coordenada pela bióloga, engenheira ambiental e sanitarista Lorena Lima, responsável pela implementação das ações sustentáveis em toda a feira. Além do processamento dos resíduos orgânicos, a Expoingá contou com 60 coletores seletivos distribuídos pelo parque, incentivando o descarte correto e promovendo conscientização ambiental junto ao público.
Para Lorena Lima, os resultados alcançados representam um avanço importante para a sustentabilidade em grandes eventos. “Como coordenadora desse programa, fico com a sensação de dever cumprido. O impacto ambiental que esses resíduos causariam em aterros sanitários seria extremamente alto. Conseguimos transformar um problema em solução, devolvendo nutrientes ao solo e promovendo economia circular dentro da própria feira”, destaca.
Ela também ressaltou o apoio institucional da Sociedade Rural de Maringá para a viabilização do projeto. “Foi uma oportunidade única poder coordenar esse processo dentro da Expoingá, graças à visão e ao incentivo da presidência da Sociedade Rural, que acreditou desde o início na importância desse projeto.”
O presidente da Sociedade Rural de Maringá, Henrique Pinto, afirma que sustentabilidade deixou de ser tendência para se tornar prioridade na organização de grandes eventos. “A Expoingá é uma das maiores feiras agropecuárias do Brasil e entendemos que um evento dessa dimensão também precisa assumir responsabilidades ambientais. O projeto Aterro Zero demonstra que é possível crescer, gerar negócios, entretenimento e desenvolvimento econômico sem abrir mão do compromisso com o futuro e com a preservação ambiental”, ressalta.
As ações ambientais também envolveram os Ecopontos instalados no parque, que receberam aproximadamente 100 quilos de lixo eletrônico, incluindo televisores e notebooks sem utilidade, além de mais de 1.200 litros de óleo de cozinha usado.
“Um litro de óleo descartado de forma inadequada pode contaminar até um milhão de litros de água. Todo esse material coletado recebeu destinação correta e retornará à cadeia produtiva como matéria-prima para novos produtos”, explica Lorena.
No setor de recicláveis, cooperativas parceiras realizaram a triagem manual dos materiais, promovendo geração de renda e fortalecimento da economia circular. Mais de 4,5 toneladas de resíduos recicláveis deixaram de seguir para descarte comum, entre eles 1,5 tonelada de papelão, mais de 1 tonelada de metais, 850 quilos de plástico transparente, 800 quilos de plástico PET e 600 quilos de ferro.
Além da gestão de resíduos, o plano de sustentabilidade da Expoingá também contemplou ações voltadas ao bem-estar da população do entorno do parque. Durante os shows e apresentações, um sistema de monitoramento acústico em tempo real acompanhou diariamente os níveis de ruído, permitindo ajustes imediatos nas operações de som e garantindo equilíbrio entre entretenimento e respeito à comunidade.
As ações ambientais também deixaram um legado permanente para Maringá. O cronograma inicial previa o plantio de 240 mudas de árvores nativas, mas a mobilização entre equipes técnicas e comunidade superou a meta, resultando no plantio de 250 árvores. A iniciativa contribui para ampliação da cobertura vegetal e preservação da biodiversidade local. Todo o projeto contou com apoio logístico e tecnológico de parceiros como Chiapetti, AllTech, Kowai, Mudas Meurer, Bioforge, Centro de Reciclagem de Eletrônicos e Colet Óleo.
Para Lorena Lima, a Expoingá inaugura uma nova cultura na realização de eventos de grande porte. “O que implementamos aqui foi apenas o começo. É totalmente possível realizar grandes eventos com impacto ambiental cada vez menor, adotando soluções sustentáveis, tecnologia e responsabilidade coletiva. A tendência é que a Expoingá evolua ainda mais nos próximos anos.”
Encerrada oficialmente no último dia 17 de maio, a Expoingá 2026 deixa um legado que vai além dos números e da movimentação econômica. A feira reforça que desenvolvimento, inovação e sustentabilidade podem caminhar juntos, consolidando Maringá como referência nacional em gestão ambiental aplicada a grandes eventos. (Assessoria)
Foto: Divulgação
