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Tarifaço é roubo

Contra o Brasil Trump impõe a imoralidade dos preços, mesmo porque em nome dos financiamentos e do lado perecível da maioria de nossos produtos, o tempo joga contra o Brasil

Os países em desenvolvimento, o Brasil em especial, estão sendo vítimas constantes da prática funesta de arcar com prejuízos no momento de exportar produtos que nos são prioritários. Sabe o sr. Trump que a maioria de nossos agricultores depende de financiamentos para produzir.  As contas por serem pagas junto aos bancos não dependem dos humores rancorosos do presidente dos EUA.

Nossa produção agrícola (comodities) é fantástica, mas quem determina os preços por serem pagos não são os produtores, mas os importadores acobertados pela insolência de Trump, que não se constrange de forma alguma de impor ao Brasil não o valor de mercado, mas o de abusivas taxas de prejuízos aos produtos nacionais. Mais claramente, que o Brasil pague para produzir, se é que pretende negociar com os EUA.

O nosso crescimento industrial é lento, nossa terra mais e mais tem sido desnacionalizada, nossa industrialização é acanhada, tanto assim que os nossos principais produtos de exportação continuam sendo o café não torrado, soja, carne, frutas, alimentos e matérias primas industriais como o minério de ferro.

Os EUA industrializam nossa matéria prima e podem esperar longo tempo às ameaças de protesto bancário em função das dívidas não pagas principalmente pelos nossos pequenos e médios agricultores, impondo- nos preços exorbitantes em toda sorte de máquinas agrícolas e sofisticados tratores que dispensam toda e qualquer mão-de- obra do plantio à colheita, bem como as pastas químicas de madeira, insumos industriais, maquinas de toda ordem, tecnologia e peças em geral.

Contra o Brasil Trump impõe a imoralidade dos preços, mesmo porque em nome dos financiamentos e do lado perecível da maioria de nossos produtos, o tempo joga contra o Brasil.

Não hesita o autoritário Trump em sinalizar possível ação militar contra o Brasil, alegando a mentira de que assim agindo, estaria contendo a violência dos marginais de nosso país. É moda dos invasores articular mentiras a exemplo do tráfico de drogas no Panamá e mais recentemente na Venezuela para apoderar-se, no primeiro caso do canal do Panamá e no segundo caso do abundante petróleo venezuelano.

Em pleno século XXI, prosseguimos vivendo o mesmo drama do século XX, quando os preços impostos pelos EUA ao nosso rei café eram tão aviltantes, que o então Presidente Getúlio Vargas considerou mais oportuno ao governo comprar o café brasileiro para em seguida queimá-lo do que vendê-lo para os EUA. Os avós de hoje recordam- se de que na época, foram queimados 78.2 milhões de sacas de café, na tentativa de obter melhor valor internacional de nosso principal produto de exportação.

Hoje, além dos cafés, vendemos soja, milho e algodão ao imbróglio internacional. Mas cadê a nossa agroindústria? Se não aprendermos a industrializar nossa exportação, seremos eternamente um ” país em desenvolvimento”.

Cresce o número de poderosos grupos estrangeiros, na condição de donos de nossas terras. Quando estive na Alemanha, ouvi na pequena cidade de Sasbachwalden, drama outrora vivido muito semelhante ao nosso. Eis o que disseram os pequenos agricultores de lá (uma cooperativa de 400 proprietários de lotes que variavam de 2 a 4 hectares). Os nossos velhos eram pobres, porque a preocupação deles não ia além da venda das uvas que aqui plantavam. Hoje, ninguém mais vende as perecíveis uvas, mas as transformamos num dos melhores vinhos do país, a ponto de havermos firmado contrato com a maior empresa aérea da Alemanha, a Lufthansa.

Apoio à agroindústria, às empresas brasileiras, ao verdadeiro patriotismo. Fora, Trump. O Brasil tem jeito.


(*) Tadeu França foi deputado federal constituinte

Arte s/ foto da Casa Branca

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