MP denuncia prefeito e vice de Inajá

PF identificou alguns eleitores que tiveram títulos ‘importados’; cidade tinha mais eleitores que habitantes
O Ministério Público Eleitoral do Paraná ofereceu denúncia contra seis pessoas acusadas de cometerem inscrição eleitoral fraudulenta no município de Inajá, que tinha mais eleitores em 2024 do que habitantes, conforma revelada aqui em novembro daquele no. O processo tramita na 91ª Zona Eleitoral de Paranacity.
Segundo a peça acusatória assinada pelo promotor de Justiça Eleitoral Murilo Alan Volpi em 26 de março, os principais denunciados são João Eder Aguilar, então candidato a prefeito de Inajá, e Rogério Galina, candidato a vice-prefeito. Aguilar, o Dédo, e Galina, o Ratinho, ganharam a eleição por 162 votos. Eles teriam, entre janeiro e maio de 2024, arregimentado e induzido quatro outras pessoas a transferirem seus domicílios eleitorais para Inajá por meio de declarações de endereços falsos. Os demais acusados são: Douglas Martins dos Santos, Gabriel da Silva Santos, Fabio Alessandre Dias e Leandro Vitor.
De acordo com a denúncia, os quatro declararam domicílios em Inajá sem possuir qualquer vínculo real (residencial, afetivo, patrimonial ou profissional) com o município. A fraude foi comprovada por consultas ao CNIS (que mostraram vínculos trabalhistas ativos em outras cidades) e por diligências de campo realizadas pela Delegacia de Polícia Federal de Maringá, que atestaram a inexistência de residência nos endereços informados. A conduta é tipificada no artigo 289 do Código Eleitoral. Uma das testemunhas disse que recebeu R$ 500,00 em espécie do hoje prefeito e vice e, posteriormente, uma conversa em meio a um canavial, que negasse tudo se viesse a ser ouvido pela polícia ou pela Justiça Eleitoral.
O inquérito policial eleitoral foi instaurado com base em investigações da Polícia Federal de Maringá. A denúncia pede o recebimento da peça, a citação dos acusados para apresentarem resposta à acusação, a produção de provas e a oitiva de testemunhas — entre elas dois agentes da Polícia Federal lotados em Maringá.
O Ministério Público também requereu a certidão de antecedentes criminais dos denunciados para eventual análise de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou suspensão condicional do processo. Não foi pedida prisão preventiva. O processo agora aguarda decisão do juiz da 91ª Zona Eleitoral de Paranacity sobre o recebimento da denúncia.
Foto: Arquivo MN
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