A notícia que ninguém queria dar, infelizmente, tornou-se realidade
Um dos três hospitais de alta complexidade que sustentam a rede pública de saúde de Londrina interrompeu, por tempo indeterminado, parte essencial de seus atendimentos. A Santa Casa anunciou o fechamento do pronto-socorro e a suspensão das cirurgias, alegando falta de condições para manter a operação após a intervenção judicial.
Independentemente das responsabilidades da antiga administração — que deverão ser rigorosamente apuradas e, se comprovadas, punidas —, um fato é inescapável: a partir do momento em que a intervenção é decretada, a responsabilidade pela continuidade do serviço deixa de ser dos gestores afastados.
Quem determina uma intervenção assume, por gravidade, o dever de garantir que a assistência à população não colapse.
Não se intervém em um hospital como quem intervém em uma empresa qualquer. Ali, não se produzem mercadorias; produzem-se atendimentos, cirurgias, leitos e sobrevida. Quando a engrenagem para, o impacto não é financeiro. É humano.
Londrina opera no limite, sustentada por apenas três grandes pilares de alta complexidade. Quando um deles reduz drasticamente a capacidade, toda a rede regional entra em colapso. Pacientes serão redistribuídos, as filas — que já são crônicas — vão explodir, procedimentos serão adiados, e a pressão sobre os demais hospitais crescerá de forma imediata.
Se a intervenção era juridicamente necessária, ela deveria ter vindo acompanhada de um plano emergencial robusto, capaz de assegurar recursos, insumos e atendimento ininterrupto desde o primeiro minuto.
A sociedade, agora, tem o direito de cobrar. Não apenas a punição de quem empurrou a instituição para o abismo, mas também medidas concretas e urgentes de quem assumiu o controle do timão.
Na saúde pública, o relógio corre contra a vida. E cada hora de pronto-socorro fechado cobra o seu preço de quem não tem tempo para esperar.
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
Imagem: Reprodução/RPC
