O homem na Lua

Minha irmã aponta para a lua, desta vez, no quintal da casa dela, em 2023


A gente tropeçava pelo pasto. À luz da lua. Errando o gado para não acertar o chifre. Bois, vacas e bezerros deitados, aproveitando o mormaço do capim, numa noite fresca. Eu e minhas irmãs voltávamos de um terço na vizinhança. Na roça, em algum canto do Paraná. Me guiavam pela mão. Uma delas bateu o zóio no céu: – a lua, apontou. Naquele dia 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong tocara o solo lunar. Um pequeno passo, uma grande conquista. Quase isso, a famosa frase.

Durante aquele dia, radinhos de pilhas pendurados nos pés de café anunciavam a façanha. Ninguém sabia bem o que era aquilo. – Como alguém poderia ir na Lua? Murmuravam. O João Maria, um sergipano, já rasgava o verbo. – Acha que o homem vai na Lua? Indagava. – A Lua é um mistério de Deus, ninguém põe o pé lá, não, cambada de bobo. Eu imaginava: – certo ele, a Lua é tão pequena, nem cabe gente lá dentro. Mas na volta para casa naquela noite, minha irmã afirmava: – Olhe lá, eu vi, o homem entrando na lua.

A gente olhava, olhava, e ela garantia que enxergara umas manchas pretas ao redor do satélite. Seria o tal aparelho que descia por lá. Até que chegamos em casa. Fui dormir com o mistério na cabeça. – Meu Deus, como pode o homem ir na lua? – Pensava, sem pegar no sono deitado no colchão de palha de milho, no meio do meu pai e da minha mãe. Meu olhar tenso denunciava medo. Quando era assim, minha mãe me punha para dormir entre ambos. Anos mais tarde, minhas dúvidas se dissiparam. Quando li a famosa manchete de capa da Folha de S. Paulo publicada em 21 de julho de 1969, um dia após o pouso da Apollo 11. Dizia: “A Lua no Bolso”.

Foto: Donizete Oliveira