‘Apoio a Lula fortalece trabalhismo’

Requião Filho e Roberto Requião defendem futuro do PDT durante convenção que confirmou apoio a Lula
Requião Filho e Roberto Requião participaram da Convenção Nacional do PDT, realizada ontem em Brasília, marcada por discursos em defesa da unidade política e da identidade histórica da legenda. O encontro confirmou o apoio do partido à candidatura à reeleição do presidente Lula e reforçou o papel do PDT nas eleições de 2026.
Em seu discurso, Requião Filho reconheceu que o desejo dos filiados do partido era lançar candidatura própria à Presidência. No entanto, destacou que o cenário político exige uma leitura estratégica, capaz de separar a disputa imediata da construção política de longo prazo. Recorrendo ao clássico “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, afirmou que “não se sacrifica um exército para conquistar uma colina”, numa referência à decisão do PDT de abrir mão da candidatura presidencial.
“A guerra que se apresenta diante de nós não terminará em 2026, em 2028 ou 2030. É uma guerra sobre o futuro de uma nação e de um povo. Arriscar tudo pelo orgulho momentâneo de ter uma candidatura não era algo que a nossa responsabilidade nos permitia fazer”, destacou. Para o deputado, a aliança construída pelo partido não pode ser interpretada como uma mudança de identidade, mas como um movimento para preservar sua capacidade política nos próximos anos.
“O PDT continua sendo o PDT do Brizola, do Jango, do Darcy, mas recebe vocês de portas abertas dizendo: caminhamos juntos. Uma aliança forte, programática, em cima de princípios, não em cima de pragmatismo. Nós não estamos retrocedendo. Estamos reorganizando, colocando a casa em ordem e estabelecendo um futuro. Acredito nesse partido e pretendo ver esse PDT forte no Paraná e ainda mais forte no Brasil”, reforçou.
Na mesma linha, Roberto Requião defendeu que o apoio ao presidente Lula deve servir para fortalecer as bandeiras históricas do trabalhismo brasileiro. Em sua avaliação, o PDT precisa manter posição firme em temas como a reestatização de empresas estratégicas, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da soberania nacional.
“O PDT tem que ser o partido da estatização da Eletrobras. Não é possível que o mundo inteiro esteja revertendo privatizações e nós acompanhamos tranquilamente esse processo de liberalização da economia. PDT é Lula, mas PDT é, acima de tudo, soberania, crescimento econômico e uma marcha bem clara a favor dos trabalhadores e da independência nacional”, disse.
Em seu discurso, Lula ressaltou Requião como uma das lideranças que lutaram pela democracia no país. “O Brasil sente saudade do tempo que a gente fazia política nesse país, com um pouco de decência, com um pouco de respeitabilidade ao povo brasileiro. Porque a política nos últimos anos apodreceu. A gente vê aqui na mesa tantos brizolistas (…), vendo pessoas como o Requião (…), pessoas que brigaram a vida inteira para que a gente restabelecesse o processo democrático no Brasil”, destacou.
A convenção reuniu dirigentes, parlamentares e lideranças de todo o país, marcando o início da mobilização nacional da legenda para as eleições de 2026.
Foto: Divulgação
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