Explicando a saída

Equipe esportiva explica como foi comunicada do rompimento de contrato com emissora de rádio arrendada por deputado estadual

A mudança na Rádio Banda 1, agora Cobra FM, de Sarandi, desagradou meio mundo na região. Ao que consta, a emissora fundada pelo saudoso Odílio Balbinotti, estava nas mãos do deputado Nelsinho Padovani e foi arrendada pelo deputado Repórter Cobra, de Londrina, que já possui outras duas emissoras.

Entre as más notícias da mudança – a emissora acabou com a grade e entra com nova programação em 10 de outubro, e até lá vai só tocando música – está a saída a Equipe Alegria, justamente no ano que ela completa 40 anos de atividades. Em rede social, Chico Santos publicou carta aberta em que lamenta o que aconteceu e denunciou o que considera descumprimento de contrato, falta de comunicação formal e ausência de aviso prévio por parte da emissora.

O grupo relatou que foi convidado para uma conversa na rádio no dia anterior ao jogo entre Maringá FC e Volta Redonda. Na ocasião, a equipe já estava credenciada, com patrocínios pontuais e recorrentes fechados, além de compromissos assumidos com o programa Radar da Notícia Fim de Tarde, transmitido ao vivo.

Durante o encontro, segundo o relato, os representantes da rádio informaram que a grade seria “totalmente alterada” e que todos sairiam do ar, incluindo a Equipe Alegria. Diante da menção ao contrato vigente, os interlocutores afirmaram ter ciência do documento, mas pediram o envio de uma cópia assinada. Os membros da equipe reforçaram, na reunião, que já estavam credenciados para o jogo e com patrocínios fechados. Após longa conversa, receberam a garantia de que a grade da equipe seria mantida.

No entanto, após saírem da emissora e enviarem a cópia do contrato assinada, foram informados de que o documento não seria mantido. Desde então, relatam ter sido ignorados: não puderam mais transmitir jogos, realizar o programa diário e até mensagens sobre a devolução das chaves da rádio foram desconsideradas. O texto destaca que o contrato não se limitava às transmissões esportivas. A equipe também era responsável pelo Radar da Notícia Fim de Tarde, programa diário acompanhado por muitos ouvintes.

De acordo com o relato, o contrato previa aviso formal e prazo mínimo de 60 dias para encerramento. Nada disso teria sido respeitado: não houve notificação, indenização ou conversa sobre o fim da parceria. “Mesmo com o contrato em mãos e com todos os nossos compromissos já assumidos, optaram por não cumpri-lo. E, depois, nem sequer honraram a própria palavra, porque nos foi dito, olho no olho, que nada seria interrompido”, escreveu Chico Santos, que faz rádio desde 1982 e está à frente da Equipe Alegria desde 1986. Esta seria a terceira passagem da equipe pela emissora. “Uma rádio onde sempre entramos e de onde sempre saímos de portas abertas, com respeito de parte a parte.”

Ele também questionou a ausência de contato direto com o deputado Cobra, que dá nome à emissora. “Nunca conversou diretamente conosco. Tentamos contato e não tivemos retorno. Prefiro acreditar que ele não está ciente do que aconteceu”. Apesar de afirmar ter “boa-fé” e “motivo” para buscar reparação na Justiça, o texto informa que, por enquanto, a equipe optou por não seguir esse caminho. “Prefiro plantar uma boa semente e seguir em frente”, conclui a mensagem.

A Rádio Cobra FM ainda não se manifestou publicamente sobre o caso, mas sabe-se que a manutenção do nome da emissora, o mesmo do parlamentar candidato a mais um mandato, será motivo de questionamento na Justiça Eleitoral. O parlamentar vai montar o estúdio da emissora em Maringá.