Quando o assunto afeta o bolso e a soberania econômica do país, a convergência da população é clara e aponta para uma forte rejeição às novas e recentes taxas comerciais impostas por Trump ao Brasil; a postura de algumas lideranças nacionais demanda uma forte reflexão
A opinião pública brasileira converge de forma unânime em temas aparentemente desconexos, estabelecendo um consenso que orbita a faixa dos 72%.
Se no campo do entretenimento esportivo as pesquisas de portais como O Globo e dados da Vox Radar apontaram que entre 72% e 73,7% do público declarou torcida para a Espanha contra a Argentina na final da Copa do Mundo, no cenário econômico e geopolítico essa mesma margem reflete uma forte insatisfação nacional.
Quando o assunto afeta o bolso e a soberania econômica do país, a convergência da população é clara e aponta para uma forte rejeição às novas e recentes taxas comerciais impostas pelo presidente Trump ao Brasil.
A imposição de novas taxas aos produtos brasileiros por parte do governo Trump gerou uma resposta imediata de desaprovação popular. Os números evidenciam um país que enxerga a medida como prejudicial, sendo que 72% da população avalia que o presidente norte-americano está errado ao impor as taxas (Genial/Quaest) e 73% dos entrevistados afirmam não concordar com as taxações (Futura/Apex).
Essa alta rejeição não acontece por acaso, pois o impacto econômico é severo e mensurável, atingindo em cheio as exportações brasileiras com um prejuízo estimado em US$ 7,4 bilhões. Dentro deste cenário de perdas bilionárias, o estado de São Paulo desponta como a maior vítima. Em valores absolutos, o estado concentra cerca de US$ 3 bilhões (ou 41,6%) do impacto total das exportações sobretaxadas.
A pressão recai de forma mais agressiva sobre o interior paulista, região que abriga polos produtivos cruciais para a balança comercial brasileira, destacando-se a fabricação de máquinas agrícolas e a produção de etanol. Essa asfixia econômica e social em setores vitais para nossa economia torna a política tarifária do presidente Trump um problema direto para a geração de riqueza e empregos tanto no Brasil como um todo, e em especial para o estado de São Paulo.
Apesar da clareza do impacto econômico negativo e da forte rejeição popular às políticas do Presidente Trump, o cenário político nacional apresenta movimentos que contrastam com essa realidade. Figuras proeminentes da direita brasileira têm buscado estreitar laços com líderes estrangeiros cujas agendas punem o Brasil.
O declarado candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, tem buscado ativamente o apoio do presidente Trump e da Argentina para fortalecer sua candidatura. Mais do que isso, Flávio continua sendo um forte ativista político no campo das taxas impostas por Trump. Mesmo com o impacto devastador nas exportações brasileiras, ele não tem se distanciado das políticas econômicas do presidente americano, e de certa forma prioriza o alinhamento ideológico sobre a pauta comercial doméstica.
Na mesma linha de acenos internacionais, o governador de São Paulo, que tenta sua reeleição, Tarcísio de Freitas, é o principal gestor do estado mais prejudicado pelas taxas norte-americanas. Ainda, o governador não apenas concedeu um prêmio ao presidente argentino, que em razão da sua política econômica provocou forte e profundo impacto no setor automotivo brasileiro, alterando o fluxo de comércio de veículos e autopeças, como também usou o boné da campanha de Donald Trump com o lema “Make America Great Again” (Vamos fazer a América grande novamente).
A postura dessas lideranças nacionais demanda uma forte reflexão. Enquanto a filosofia do “America First” impulsiona políticas protecionistas e barreiras comerciais que retiram US$ 3 bilhões da economia de São Paulo e US$ 7,4 bilhões do Brasil como um todo, o ativismo de Flávio Bolsonaro e o gesto simbólico de Tarcísio de Freitas evidenciam a priorização de uma agenda ideológica transnacional. É uma pauta que a população brasileira, majoritariamente, já demonstrou rejeitar provando que, seja na política econômica ou na final da Copa do Mundo, o brasileiro sabe muito bem de que lado não quer estar.
Imagem: Arte s/ foto de redes sociais
