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PT vai aumentar bancada na Assembleia Legislativa

Partido pode eleger oito deputados estaduais, sendo que três candidatas mulheres têm grandes chances

A Assembleia Legislativa do Paraná conta com 44 deputados e 10 deputadas, distribuídos em 9 partidos. A maior bancada é a do PSD, partido do governador Ratinho Júnior, com atuais 19 deputados. O PL conta com 12 deputados. A terceira maior bancada é a do PT com seis deputados. O PP e o Republicanos contam com cinco deputados cada um. MDB, Novo e PDT têm dois deputados e o Podemos tem apenas um deputado.

Dos seis deputados petistas, quatro são candidatos a deputados federais (Ana Julia, Luciana Rafagnin, Arilson Chiorato e Renato Freitas). Apenas dois dos atuais deputados petistas são candidatos à reeleição: Dr.Antenor e Professor Lemos.

Nas eleições de 2022 o PT elegeu sete deputados estaduais (Requião Filho, depois, foi para o PDT). Somados os votos do PT, PCdoB e PV em 2022 chega-se a mais de 766 mil votos. Neste ano, segundo algumas análises, esta federação pode receber algo entre 850 e 900 mil votos, elegendo um ou dois deputados ou deputadas a mais, eis que o PV ou o PCdoB podem eleger ao menos um deputado, e que o PT no mínimo repetirá o desempenho das eleições anteriores. Como vários partidos não ultrapassarão as cláusulas de barreira, com as sobras a federação do PT pode realmente eleger oito ou até nove deputados estaduais.

Na lista de candidatos da Federação Brasil da Esperança constam candidatos e candidatas com expressiva densidade eleitoral. Dos 55 candidatos, mais da metade certamente superará os 12 mil votos. Explico: pela legislação, para ser eleito de modo direto o candidato tem que ter superado a cláusula de barreira que exige votação mínima equivalente a 10% do quociente eleitoral, que em 2026 deve ficar em pouco mais de 110 mil votos.

Em 2024, o PT de Curitiba obteve votos para eleger quatro vereadores, mas nenhum suplente havia obtido o percentual mínimo do quociente eleitoral. Naquela oportunidade acabou, de modo direto, elegendo apenas três vereadores. Nesta campanha não há esse risco. Em torno de 25 candidatos petistas devem superar a barreira dos 12 mil votos e mais de 10 candidatos ultrapassarão os 20% do quociente eleitoral.

Segundo quem entende bem a política paranaense, entre os candidatos da federação petista, quatro candidatos estão virtualmente eleitos: os atuais Lemos e Antenor, o vereador curitibano Vanhoni e o atual vereador Mário Verri, de Maringá. Estima-se que, juntos, esses quatro candidatos terão mais de 300 mil votos. Talvez até mais.

Além disso, é bem possível que a maioria dos candidatos petistas a Estadual que atualmente detém mandatos como vereadores e todos os demais candidatos que já tiveram cargos eletivos anteriormente, passem dos 12 mil votos cada um. Esse grupo de 25 candidatos certamente totalizará no mínimo entre 250 e 300 mil votos.

Por fim, no pelotão dos demais postulantes, formado por pessoas que nunca se elegeram anteriormente, onde se situam influenciadores digitais, intelectuais, professores, advogados, médicos, dirigentes sindicais e ativistas sociais ou identitários, há pelo menos uns três ou quatro que devem superar os 23 mil votos e uns dez que superarão a cláusula de barreira dos 10% do quociente eleitoral. Neste terceiro grupo, quem entende bem a organização petista, estima um total de pelo menos mais uns 200 mil votos.

Tudo somado, chega-se a mais de 800 mil votos em candidatos petistas a deputados e deputadas estaduais. Os candidatos do PCdoB e do PV que integram a Federação com o PT podem, juntos, trazer mais 30 ou 40 mil votos para o pote de votos definidor do número de cadeiras distribuídas.

Com o recálculo das sobras dos demais votos nos demais partidos, esse quantitativo de votos deve bastar para a eleição de pelo menos oito deputados estaduais. Minha aposta: três candidatas mulheres têm grandes chances de se elegerem como estaduais. 

Outro tema de preocupação dos especialistas em previsão eleitoral reside no número de candidatos que supere a cláusula de barreira para a atribuição de cadeiras nas sobras. Para estas, como mencionado acima, só obtém mandatos os candidatos que tenham superado os 20% do quociente eleitoral (estimado em menos de 115 mil votos). No PT não há essa preocupação, pois há pelo menos dez candidatos a estadual que farão mais de 23 mil votos.
 
A campanha está apenas começando. Fora os quatro principais candidatos em relação aos quais há consenso quanto à quase certeza de eleição com votações consagradoras (Lemos, Antenor, Vanhoni e Verri), todos os demais candidatos e candidatas têm plenas condições de chegarem ao final desses quase dois meses entre os primeiros, conquistando seus mandatos, ou importantes suplências. Em 2028 pelo menos três ou quatro dentre os deputados estaduais eleitos pelo PT devem se eleger como prefeitos ou vice-prefeitos, o que torna bastante atrativas as primeiras suplências na assembleia legislativa.

Ao crescimento da bancada da federação petista deve corresponder uma diminuição nas bancadas dos partidos da extrema direita, principalmente no PSD e no PL, como decorrência da desastrosa escolha de um candidato a governador pouco competitivo por parte do grupo do Ratinho Júnior e da perda de tração na ideologia bolsonarista, que, embora forte, já teve momentos melhores. Outras bancadas também podem crescer, como a do MDB, por exemplo.

Seja como for, parece certo que a futura composição da Assembleia Legislativa do Paraná será qualitativamente superior à atual, inclusive com maior representação feminina.

Na atual legislatura são dez as deputadas estaduais. As duas petistas, Ana Júlia e Luciana agora são candidatas a deputadas federais, mas possivelmente serão substituídas por três ou quatro outras petistas, com idêntica combatividade e compromisso. Para a próxima espera-se a eleição de pelo menos 15 parlamentares estaduais, no total. Ainda é pouco, mas percentualmente será um crescimento expressivo. Comemoremos. 


(*) Wilson Ramos Filho, o Xixo, é advogado do Declatra (Instituto de Defesa da Classe Trabalhadora)

Ilustração: Arquivo

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