O impacto das bets

CNC alerta: apostas online geram R$ 68 bilhões em um ano e ameaçam varejo e famílias

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo divulgou estudo sobre o impacto econômico das bets no Brasil. Entre junho de 2023 e junho de 2024, os brasileiros gastaram R$ 68,2 bilhões em apostas – equivalente a 0,62% do PIB, 0,95% do consumo total e 22% da massa salarial.

O futebol lidera as apostas esportivas online, com público majoritariamente masculino. Já os cassinos online, como o Jogo do Tigrinho, ficam em segundo lugar e atraem sobretudo mulheres (60% do público). A CNC considera esse perfil preocupante, pois benefícios sociais são pagos preferencialmente a mulheres, e o vício pode agravar pobreza e desigualdade.

No primeiro semestre de 2024, os cassinos online levaram 1,3 milhão de brasileiros à inadimplência e retiraram R$ 1,1 bilhão do consumo do varejo. A entidade calcula que o comprometimento da renda com apostas pode reduzir em até 11,2% a atividade varejista, o que representa perda de R$ 117 bilhões anuais em faturamento. Por isso, a CNC já revisou para baixo a projeção de crescimento do varejo em 2024, de 2,2% para 2,1%.

Dados do balanço de pagamentos mostram que as taxas de serviço pagas pelos apostadores somaram R$ 28,4 bilhões nos 12 meses até junho de 2024 – 9,8 vezes mais que dois anos antes. A CNC estima que o avanço de 257% no volume de apostas desde o fim de 2022 pode elevar em 3,9% o número de famílias com contas em atraso, o que significa cerca de 191 mil famílias a mais.

A confederação defende a regulamentação de cassinos físicos, que poderiam gerar 1 milhão de empregos e R$ 22 bilhões em impostos por ano, e critica os cassinos online por não criarem valor nem empregos formais no país.