Ideologias


A bem da verdade, não existe um modelo de sociedade ideal
A extrema direita costuma recorrer à própria natureza como lição de sobrevivência. O que vale mesmo é a seleção dos mais fortes. Ninguém tem culpa, se os mais fracos sucumbem na cadeia alimentar.
Na sociedade, também ocorre o mesmo: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Os trabalhadores devem estar a serviço dos poderosos, mas se for necessário esmagá-los, o azar é dos perdedores
Desde que o mundo é mundo, o ultraconservadorismo triunfou e a própria história jamais foi escrita pelos derrotados.
A direita entende que o governo deveria recolher- se ao seu papel:segurança, justiça e defesa nacional. Quanto ao mais, a privatização deve ser geral, sem se preocupar se os compradores do patrimônio nacional sejam brasileiros ou estrangeiros.Nada melhor do que soberania do mercado livre. Se o outro precisa do que me pertence, que pague o preço que me convém.Não se trata de roubo ou de pecado, mas de primazia da lei suprema do livre mercado.
A direita é tradicionalista. Aceita a religião, mas a ” opção pelos pobres” traz desconforto. Ora, a pobreza tem que esperar que primeiro cresça o bolo dos capitalistas, porque só depois disso é que poderão repartir
O meu patrimônio é fruto do meu esforço e o de meus antepassados. Há quem diga que sou contra a reforma agrária- comenta o bilionário, que não cumpro a função social da propriedade. Ora, que esses pobres vagabundos trabalhem, como eu trabalhei. Quem é hoje proprietário de 6 hectares pode muito bem ser dono de 600.000, a exemplo da SLC Agrícola. É só trabalhar.
O centro prefere evitar extremismos. Aposta no livre mercado, mas é flexível. O importante mesmo é ser amigo do poder, não importa se de direita ou de esquerda. Na ponta da língua, sempre está a deturpação de uma frase de São Francisco: ” é dando que se recebe”. Se na vida pública, não faz questão da proximidade com a imprensa. E o perigo de distrair- se, dar moleza e ser denunciado pelos milhões ou bilhões em espécie bem guardados em apartamentos estratégicos ? Partido político qualquer um serve. O importante é ser sempre aliado do governo de plantão.
A esquerdaconsidera que o papel do Estado é o de reduzir a desigualdade social. Daí, a necessidade de impostos compatíveis com as fortunas acumuladas nas mãos da elite.Ao invés da luta de classes, a opção preferencial é a conquista do poder pelo voto. A esquerda democrática considera que os ricos não precisam de governantes. Quem deles necessita são os vulneráveis. Sem Estado forte é impossível assegurar o equilíbrio social.
A esquerda considera que a propriedade que não cumpre a função social deve ser desapropriada para a promoção da reforma agrária. País desenvolvido é aquele em que ninguém é morador em situação de rua ou em que nele perece à míngua
A extrema esquerda considera que para alcançar uma sociedade sem classes, necessário se faz implantar a ditadura do proletariado. A riqueza dos poderosos é fruto da mais valia negada aos trabalhadores fatalmente mal remunerados pelo capitalismo selvagem.
Fábricas, terras e economia pertencem à coletividade. A própria história, segundo a extrema esquerda, é movida pela luta de classes.
O capitalismo não conhece limites para a ganância e é inconcebível a divisão da sociedade por classes sociais. O trabalho é um dever inerente a todos (as) que dele são capazes. A bem da verdade, não existe um modelo de sociedade ideal. A própria China optou por um governo central forte típico da esquerda radical, mas permitindo a livre iniciativa vigente.
(*) Tadeu França, professor e deputado federal constituinte
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