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A UEM em depressão

Depredação levou a Universidade Estadual de Maringá a entrar em profunda depressão

Por Catarina Teruco Makiyama

O aluno é muito criativo e inteligente, esperando e contando que um mestre o ajude a criar senso crítico e formado, adquira independência e comece a caminhar com suas “próprias pernas”.

Por muito tempo, os estudantes da UEM cultivaram um perfil denominado “UEM da Depressão”, muito provavelmente essa era a leitura que eles faziam na época, antevendo o futuro próximo da nossa universidade. O cenário hoje, confirma a previsão dos estudantes. Do contexto da pandemia em 2020, passando pela atual gestão Leandro Vanalli e Gisele Mendes, as várias ações de “linchamento” pelas quais a universidade foi submetida fragilizaram e debilitaram a UEM de forma significativa, comprometendo em grande medida sua imagem.

De fato, tivemos um péssimo governo estadual, privatizador de importantes setores como energia (Copel), além de colocar o Paraná, entre os dez estados do país, com presença de trabalhadores escravizados em pleno século XXI. Suas ações também atingiram frontalmente as universidades públicas, as quais foram objeto do nefasto processo de privatização. Ratinho liquidou a autonomia universitária ao enquadrar todas as universidades estaduais paranaenses na Lei Geral das Universidades – LGU, desprezando e desrespeitando a comunidade acadêmica e a população do Paraná, os legítimos “donos” das universidades públicas.

Fica a grande pergunta: qual foi a ação concreta da gestão Leandro e Gisele no enfrentamento em defesa da UEM e contra um governo capacho da elite paranaense?

A atual reitoria passou gestão inteira de “mãos engessadas” o que me leva a concordar com a professora Marta Bellini e o Ailton dos Santos, conhecedores profundos da UEM, nas suas denúncias contra a política clientelista da troca de favor articulada durante o processo eleitoral de 2022 para a reitoria, de forma que após as eleições os favores foram pagos em forma de cargos e outras benesses. Isso faz com que a burocracia universitária se coloque ao lado do governo em detrimento dos interesses da comunidade universitária, como foi o caso da aprovação da LGU.

Mais ainda, isso faz com que a reitoria se coloque ao lado do servidor que deve à UEM, por ter abandonado seu doutorado na Espanha. Sua isenção significa não defender a UEM ou defendê-la apenas no slogan da campanha eleitoral, o que é muito contraditório. Na prática, a omissão da reitoria significa deixar de investir, os mais de 2,5 milhões de reais que o servidor deve à UEM, na infraestrutura, nos Departamentos, nos Campis Regionais e, em especial, nos estudantes para garantir sua permanência na UEM. Lembrem-se, a história não falha, há de cobrar a responsabilidade dos omissos, afinal omissão é crime!

A isenção da dívida do servidor devedor significa ainda que a reitoria usa o critério de dois pesos e duas medidas, pois os docentes estão ressarcindo à UEM como mostra o processo nº 000025343.2004.8.16.0190 e processo nº 0004402-91.2018.8.16.0190. Se os docentes devolvem, por que esse servidor deve ser isentado? Exigimos o que é da UEM, sem o calote!

Contradição é o que se destaca nessa gestão e uma das provas disso é a extinção do Proação/UEM – Programa de Ação Social, responsável pela criação da Política de Assistência Estudantil – PAE. Leandro Vanalli e Gisele Mendes não deram um passo sequer durante toda gestão 2022/2026. Ao contrário, a atual reitoria, ao extinguir o Proação/UEM, colocou a PAE na unidade de terapia intensiva por depressão e, ainda assim, não tomou nenhuma providência. Por isso, fazer discurso contra desigualdade social durante a campanha eleitoral para reitoria é pura falsidade e hipocrisia uma vez que, a atual vice-reitora participou da extinção do Proação, cujo programa, entre outras ações sociais, foi criado para combater a desigualdade social, a começar por dentro da UEM, beneficiando em especial, os alunos de baixa renda. A PAE é uma política institucional o que obriga o reitor a implantá-la, mas a atual reitoria preferiu engavetar e continuar usando setor como a DCT – Diretoria de Assuntos Acadêmicos, um setor burocratizado que serve mais para ser usado na campanha eleitoral para reitoria.

Uma lástima também a presença dos trabalhadores terceirizados em grande quantidade, visível, sobretudo, no Hospital Universitário – HU. Como vítimas da política neoliberal, vivem em condições precárias, frequentemente passando dois, três meses sem receber o salário e gerando um sofrimento para sustentar suas famílias. Qual a posição da burocracia universitária em relação a isso? Qual a política da reitoria para tornar os terceirizados e professores temporários em efetivos?

É verdade que, pelo cargo, não exime a reitoria da sua responsabilidade de lutar e dar apoio aos trabalhadores, nada mais do que uma obrigação, afinal, antes de ser reitor ou vice, são também assalariados. Porém, também não dá para fazer vista grossa ao sindicato totalmente burocratizado.

O Sinteemar já foi de luta, infelizmente, há pouco mais de uma década é dirigido por gente que ora assume a presidência do sindicato e ora se apossa da reitoria com cargo como PRH ou qualquer outro cargo. Para essa prática chamamos de sindicato pelego onde os interesses da categoria, ao qual ele representa, fica em segundo plano. É vergonhosa essa relação íntima entre o principal instrumento de luta de classes em defesa dos trabalhadores – o SINDICATO – e a burocracia universitária que, na maioria das vezes, está alinhada com os interesses do governo de plantão.

A nova reitoria deve construir uma gestão que privilegie a democracia interna da universidade em que a comunidade universitária possa interferir nos rumos da gestão. É ela que dá o respaldo na luta contra LGU, na luta pelo concurso público, por uma UEM com autonomia universitária e não os burocratas que usam a máquina para garantir interesses privados em detrimento do público.

Hoje, fora da estrutura da UEM, sinto-me legítimo povo e, por isso, o meu sentimento de que a UEM me pertence é bem maior do que quando estive dentro dela. Assim, continuo defendendo uma UEM administrada por pessoas de caráter e comprometidas em administrar bem a universidade pública, autônoma, limpa e sempre preocupadas em garantir um ambiente de trabalho saudável e não hostil!

Vou me despedir das pessoas que compõem o time do bem, que se ralam trabalhando duro porque são pessoas que têm compromisso com a UEM, pessoas que colocam todo o conhecimento e competência na construção de uma Universidade com qualidade. Estes, sim, merecem ser premiados e agradecidos.


(*) Catarina Teruco Makiyama, assistente social da UEM, hoje aposentada

Foto: ASC/UEM

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