O Titanic do PL e os violinos de Filipe Barros


A crise no PL virou manchete e a brigalhada expôs o desespero dos candidatos proporcionais, que esperavam os bolsos cheios de fundo partidário e receberam promessas vazias
Não há anúncio oficial, mas o burburinho de bastidores ganhou eco e virou certeza: a campanha de Felipe Barros ao Senado subiu no telhado. Sem tração nas ruas e já operando em velocidade máxima para entregar quase nada, o projeto naufragou antes mesmo de zarpar.
O plano de retirada, inclusive, foi traçado com antecedência cirúrgica. Ainda nas convenções, Barros tratou de confiscar o número 2201 — aquele usado na eleição passada —, impedindo que qualquer correligionário ousasse pleiteá-lo. Não foi preciosismo, foi puro instinto de sobrevivência. Felipe garantiu seu colete salva-vidas individual, ciente de que o navio rumo ao Senado havia sido batizado de Titanic. Salve-se quem puder. Quem não puder, que se dirija ao convés e aproveite o som dos violinos.
Ocorre que desembarcar da primeira classe para pular no bote não será tão simples. Barros já torrou uma verdadeira fábula com materiais de campanha para o Senado. Detalhe: com a conta eleitoral zerada de movimentações financeiras até ontem, a suspeita óbvia é que a aventura foi faturada no bom e velho “fiado”, com vencimento para as calendas gregas. Prestar contas dessas despesas e desistir da vaga vai virar um pesadelo na Justiça Eleitoral. Diante do tamanho do rombo, a máxima do mercado político já impera: “devo, não nego, pago quando puder”.
Para piorar, o motim é geral. A crise no PL virou manchete e a brigalhada expôs o desespero dos candidatos proporcionais, que esperavam os bolsos cheios de fundo partidário e receberam promessas vazias. Afinal, na política local, nem sempre uma mão lava a outra, mas ambas servem perfeitamente para esconder a cara de vergonha.
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
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