Advogado aliado da campanha de Moro já foi alvo do Ministério Público do Rio de Janeiro

Ação investiga irregularidades em uma contratação de mais de R$ 8,2 milhões para a aquisição de duas plataformas aéreas destinadas ao Corpo de Bombeiros

O senador Sergio Moro (PL), que ganhou notoriedade devido à Lava-Jato, tem entre seus aliados no Paraná o advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande, cujo nome aparece em uma ação civil pública por improbidade administrativa em um desdobramento da própria operação, no Rio de Janeiro.

A proximidade política entre os dois é assumida pelo próprio advogado, que criou um grupo intitulado “Advogados com Moro”, o defendeu publicamente e depois passou a atuar diretamente na articulação política em torno de sua candidatura por meio do partido Democracia Cristã (DC).

A ação que envolve Casagrande foi ajuizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no âmbito da Operação Fatura Exposta, um desdobramento da Lava Jato. O processo investiga irregularidades em uma contratação de mais de R$ 8,2 milhões para a aquisição de duas plataformas aéreas destinadas ao Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Segundo o MPRJ, o procedimento teria sido direcionado para beneficiar empresas específicas, e Casagrande, que atuava na representação de uma das empresas envolvidas, teria participado dos atos de improbidade e se beneficiado deles. O Ministério Público pediu a condenação do advogado. Ele não foi condenado criminalmente mas figurou como réu em uma ação civil pública e segue exercendo suas atividades profissionais regulares na advocacia empresarial.

O histórico judicial dele inclui ainda outro episódio no Paraná. Casagrande foi condenado ao pagamento de aproximadamente R$ 500 mil por danos morais em razão de sua atuação como consultor da “CPI das Falências”, da Assembleia Legislativa do Paraná. A condenação está relacionada à atuação do advogado nos trabalhos da comissão, presidida pelo então deputado estadual Fábio Camargo.

A atuação política ao lado de Moro, por sua vez, ganhou uma dimensão mais direta em 2026, com a reorganização do DC no Paraná. Casagrande assumiu a primeira vice-presidência da legenda ao lado de Fábio Aguayo, secretário-geral do partido e assessor parlamentar de Moro no Senado. A nova direção substituiu o grupo que comandava o DC no Estado e articulava a candidatura de Tony Garcia, adversário declarado de Moro. Poucos dias depois da entrada de Casagrande e Aguayo no partido, o DC retirou Garcia da disputa e oficializou apoio à candidatura do senador ao Governo do Estado.

Relação antiga com Fábio Camargo – Antes de se aproximar de Sergio Moro, Casagrande já mantinha uma relação de anos com o conselheiro do TCE-PR Fábio Camargo. Em 2011, ele atuou como consultor técnico da CPI das Falências, presidida pelo então deputado estadual. A comissão foi marcada por acusações de Camargo contra juízes e administradores judiciais e acabou suspensa por decisão judicial após questionamentos sobre a competência da Assembleia para investigar atos de magistrados.

Em livro publicado por Camargo sobre a comissão – uma cópia está hospedada no site do próprio escritório de Casagrande –, o advogado escreveu: “Hoje posso dizer que admiro e respeito Fabio Camargo” e classificou a relação como uma das “inesperadas amizades” de sua vida. Em outro trecho, agradeceu “pela amizade e, acima de tudo, pela oportunidade de estar ao seu lado lutando”.

Em 2013, Casagrande foi nomeado para um cargo em comissão no gabinete de Camargo no TCE-PR. Em 2021, quando Fabio Camargo presidia o Tribunal, o advogado ocupava a assessoria especial da Presidência, com remuneração bruta de R$ 16.325,94, e secretariava uma comissão sobre falências e recuperações judiciais presidida pelo conselheiro, mesmo tema que uma década antes aproximou os dois e foi motivo de vários questionamentos na justiça. (Assessoria)

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