O candidato do PL ao Governo do Paraná, Sergio Moro, se atrapalhou em duas respostas nesta segunda-feira em entrevista na RPC. Ele falou que Flavio Bolsonaro já deu explicações sobre seu envolvimento no caso do Banco Master, o que é sabidamente falso, ainda mais que ele é formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal, e afirmou que Valdemar da Costa Neto, presidente do seu partido, “não tem mais envolvimento em coisa errada”, o que também não tem amparo legal.
Moro falou o seguinte sobre Flavio Bolsonaro: “Flavio apresentou explicações e fez algo que outros não fizeram: ele nunca obstruiu investigações”. A frase ignora que ele não apresentou nada e que os advogados do senador tentaram ao menos quatro vezes, em poucas semanas, concentrar no ministro André Mendonça as investigações que dizem respeito ao financiamento do filme “Dark Horse” no STF. Ou seja, tentaram “adequar” as investigações.
Segundo a Polícia Federal, Flávio não atuou apenas como “terceiro”, mas sim como um interlocutor direto de Vorcaro. A PF aponta que a atuação do senador abrangeu desde a cobrança por repasses atrasados até reuniões presenciais e o acompanhamento próximo do cronograma das gravações.
Os investigadores apuram quem são os beneficiários finais dos recursos intermediados por Flavio. Ele ainda não explicou o caminho do dinheiro. As investigações apontam que o equivalente a mais de R$ 60 milhões chegaram a ser liberados para a obra cinematográfica, mas, até o momento, a produtora não detalhou e comprovou a utilização dos recursos.
Aliás, Flavio Bolsonaro mudou de versão diversas vezes sobre sua relação com Vorcaro, algo que o aproxima de Sergio Moro. Primeiro disse que nunca teve contato com o banqueiro, depois admitiu. Mais tarde disse que tentar vincular seu nome ao caso Master era falso, depois reconheceu a proximidade. Também disse que não encontrariam registro de dinheiro na relação, depois admitiu. Com o avanço das investigações pela Polícia Federal, Flavio admitiu que foi à casa de Vorcaro quando o banqueiro já cumpria prisão domiciliar.
Já em relação a Valdemar da Costa Neto, Moro disse que o presidente nacional no PL “foi condenado, cumpriu a sua pena e depois nunca ouvi de envolvimento em coisas erradas”.
O que Sergio Moro esqueceu é Valdemar Costa Neto é suspeito dos crimes de desvio de dinheiro e de associação criminosa, alvo de uma operação há poucos meses. Ele é suspeito de direcionar emendas parlamentares para bases eleitorais mesmo sem ter cargo no Congresso Federal. A estimativa é que Valdemar tenha desviado pelo menos 21 emendas, que resultaram em empenhos ou pagamentos na ordem de R$ 119 milhões.
Ele foi preso em flagrante neste ano por porte de uma arma com registro vencido e por ter uma pepita de ouro sem documentação, o que é exigido pela lei. Segundo o laudo da PF, a pepita tem 39 gramas de ouro, com 91% de pureza. Foi avaliada em R$ 11 mil. Se trata de bem mineral que pertence à União.
Além disso, a Primeira Turma do STF decidiu em 2025 reabrir a investigação sobre o envolvimento do presidente do PL na trama golpista. Em 2022, o PL usou um relatório para pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anulação dos votos de quase 60% das urnas do segundo turno, alegando defeitos em equipamentos fabricados antes de 2020. O pedido foi rejeitado, e o partido acabou multado em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. (Assessoria)
Imagem: Reprodução/RPC
