Votação na Câmara de Maringá decidirá ou não se Giselli Bianchini (PL) será investigada por Comissão Processante
A Câmara de Maringá vai votar hoje mais um pedido de abertura de Comissão Processante. Hoje, já existe uma em andamento, contra a vereadora Ana Lúcia Rodrigues (PL).
De acordo com o rito legislativo, o pedido de abertura deve ser lido na sessão de hoje. O jornalista Gilmar Ferreira protocolou, na quinta-feira, uma representação e notícia de fato para apuração ético-disciplinar contra a vereadora, candidata a deputada estadual. O documento foi dirigido à Mesa Executiva da Casa, com pedido de encaminhamento à Corregedoria ou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
Segundo o representante, no mesmo dia 10 de setembro, enquanto realizava cobertura jornalística nas dependências da Câmara e registrava fatos de interesse público com o celular, a vereadora se aproximou e desferiu tapas no aparelho. O objetivo aparente, de acordo com o texto, seria interromper ou dificultar a gravação. O episódio ocorreu enquanto o jornalista exercia atividade profissional na sede do Legislativo.
O contexto apontado é uma discussão envolvendo declarações do vereador Luiz Neto (Agir) sobre profissionais da educação. O documento ressalta que esse pano de fundo serve apenas para localizar o momento dos fatos e não altera o objeto da representação: a conduta física atribuída à parlamentar contra o equipamento usado na cobertura.
A representação se fundamenta nos artigos 3º (incisos II e XI), 5º (incisos II e III) e 24 a 26 do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Maringá. Também cita os artigos 5º (incisos IX e XIV) e 220 da Constituição Federal, que protegem a livre manifestação, o acesso à informação e a atividade jornalística. O texto argumenta que eventual interferência física em cobertura realizada em ambiente legislativo merece apuração institucional, em razão dos princípios da publicidade e da transparência.
O jornalista pede a preservação imediata das imagens do circuito interno de segurança da Câmara, além do exame de vídeos gravados no local (incluindo o próprio arquivo do representante), registros da sessão ou atividades do dia, oitiva de testemunhas — entre elas o vereador Luiz Neto — e manifestação da própria vereadora. Solicita ainda protocolo do documento, notificação da representada para apresentar sua versão e, ao final, as providências previstas nas normas internas caso se confirme infração ética ou disciplinar.
Cópia da representação também foi enviada ao presidente do Diretório Municipal do Partido Liberal em Maringá, partido ao qual Bianchini é filiada, para ciência e eventual análise partidária. O documento deixa claro que não antecipa conclusão sobre responsabilidade disciplinar e que cabe à Câmara apurar a dinâmica dos fatos, ouvir os envolvidos e examinar as provas.
Foto: Marquinhos Oliveira/CMM
