Assessor de Moro compartilha post que chama Vorcaro de “vítima” em meio a escândalo do Banco Master
O assessor parlamentar do senador Sergio Moro (PL-PR) Fábio Aguayo compartilhou em suas redes sociais uma publicação que apresenta Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, como uma “vítima do maior mal do ser humano: inveja e ingratidão”. O texto, originalmente publicado no Threads por um perfil anônimo, afirma que Vorcaro “ajudou todo mundo”, “foi amigo” e “foi parceiro”, além de citar uma série de supostos favores prestados pelo banqueiro.
A postagem de Aguayo ocorre em meio à divulgação de novos elementos da investigação sobre o Master, que expôs uma extensa rede de relações de Vorcaro com autoridades. Documentos da Polícia Federal apontam diferentes níveis de aproximação do ex-banqueiro com cinco ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes e André Mendonça. No caso de Moraes, a PF identificou mensagens entre os dois e também tratou de um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
O escândalo também alcança o Congresso. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado por suspeitas relacionadas a corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos negociados com Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse. Já o deputado Filipe Barros (PL-PR), candidato ao Senado na chapa de Moro, apresentou em 2024 um projeto de lei que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Se fosse aprovado, o projeto aumentaria a captação de mais dinheiro pelo Master e a continuidade das fraudes de Vorcaro contra o sistema financeiro.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Master em novembro de 2025, citando grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e graves violações das normas do sistema financeiro. A quebra atingiu centenas de milhares de investidores e levou o Fundo Garantidor de Créditos a provisionar R$ 40,6 bilhões para as instituições inicialmente liquidadas. As investigações também encontraram cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas inconsistentes ou inexistentes em operações envolvendo o BRB.
Além de assessorar Moro no Senado a partir do escritório de apoio do ex-juiz em Curitiba, Aguayo também integra a direção estadual do Democracia Cristã (DC) como primeiro secretário. Ele assumiu o cargo às vésperas das convenções do partido, cujo diretório estadual retirou de última hora a candidatura de Tony Garcia, um desafeto antigo de Moro, para declarar apoio à pré-candidatura do senador ao Governo do Paraná.
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