Moro não fez nada como senador para destravar grandes projetos de interesse do Paraná

Sergio Moro (PL) chega à disputa pelo Governo do Paraná com promessas, mas o problema é que, em seus quatro anos como senador, pouco ou nada atuou na articulação de soluções para problemas históricos do Estado.

Nas pautas estratégicas, que precisam de articulação nacional, sua atuação ficou marcada por manifestações pontuais, sem a pressão necessária para destravar questões que afetam diretamente a população paranaense.

Um dos casos com maior impacto é a discussão sobre a distribuição dos royalties obtidos com a exploração de petróleo. O Paraná está entre os estados que mais poderiam ganhar com uma distribuição menos concentrada dos recursos. Uma lei aprovada em 2012 pelo Congresso criou novas regras para distribuir os royalties também entre estados não produtores, mas sua aplicação está suspensa desde 2013 por decisão do STF.

A diferença é expressiva: em outubro de 2024, o Paraná havia recebido 0,42% dos royalties destinados diretamente aos estados, contra 84,72% do Rio de Janeiro, 5,45% de São Paulo e 4,04% do Espírito Santo. Segundo a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), os estados prejudicados acumularam R$ 189,7 bilhões em perdas no período.

Para o Paraná, são recursos que poderiam significar mais dinheiro para saúde, educação, infraestrutura e serviços públicos. Por isso, o Estado passou a defender como protagonista no STF a retomada da regra. Moro, porém, nunca assumiu a defesa da redistribuição que poderia beneficiar o Paraná nem liderou articulação no Congresso para destravar a questão.

Propriedade das Cataratas do Iguaçu – Outra disputa de grande impacto envolve a área onde estão as Cataratas do Iguaçu. São aproximadamente 1.085 hectares, incluindo o trecho brasileiro das Cataratas e o Hotel das Cataratas. Ele nunca atuou em favor do Paraná pela propriedade dos paranaenses.

A União questionava a propriedade estadual da área desde 2018. Mas em 2025, o TRF-4 confirmou a validade do registro em nome do Paraná. A questão envolve potencial de arrecadação para o Estado, mas também turismo, empregos e investimentos para Foz do Iguaçu e a região Oeste.

Mesmo após a vitória judicial articulada via PGE, o Estado ainda precisou procurar o Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio em 2026 para garantir segurança jurídica para a exploração turística da área.

Durante toda a disputa, no entanto, Moro não assumiu a defesa política do Paraná em Brasília. Enquanto o Estado precisou enfrentar a União nos tribunais e cobrar diretamente os órgãos federais, o senador, que tinha justamente o mandato para fazer essa ponte, ficou fora da articulação.

Faixa de Infraestrutura de Pontal do Paraná – Em Pontal do Paraná, a Faixa de Infraestrutura poderia resolver problemas que afetam diariamente moradores e visitantes: a dependência da PR-412, congestionamentos e alagamentos. O projeto prevê uma nova rodovia paralela à atual e um canal de macrodrenagem, além de estruturas associadas à expansão logística. Em 2025, após quase uma década de disputa judicial, o Estado conseguiu no TRF-4 autorização para retomar o licenciamento.

Mais do que uma obra viária, a infraestrutura pode melhorar o deslocamento da população e reduzir os alagamentos que afetam o município. A obra também é considerada fundamental para viabilizar um novo porto privado em Pontal do Paraná, ampliando a capacidade logística do Litoral e podendo reduzir custos de transporte para o agronegócio, a indústria e empresas que dependem da importação e exportação de mercadorias.

Apesar da relevância do projeto, Moro não se empenhou para destravar a Faixa de Infraestrutura durante o mandato. Enquanto o Governo do Paraná, a Prefeitura, órgãos ambientais, Ministério Público e Judiciário trabalhavam para superar os entraves, o senador não colocou seu mandato a serviço da articulação em Brasília.

A omissão é ainda mais significativa diante do potencial da obra para destravar novos investimentos e uma estrutura portuária privada, ampliando a capacidade de movimentação de cargas e reduzindo custos logísticos para setores fundamentais da economia paranaense.

Futuro das ferrovias – A questão ferroviária também afeta diretamente a população. A nova concessão da Malha Sul prevê R$ 6,9 bilhões em investimentos, sendo R$ 4,5 bilhões no corredor Paraná-Santa Catarina, ao longo de 4.250 quilômetros.

Uma malha mais eficiente significa fretes menores e maior capacidade de escoamento para produtores e indústrias, menos pressão sobre as rodovias e mais competitividade para a economia paranaense. Nas cidades, os problemas também são cotidianos.

Em Curitiba, 21 bairros são cortados por ferrovias e 51 passagens de nível impactam trânsito, transporte coletivo e segurança de quase meio milhão de moradores. Entre 2021 e 2024, foram 152 acidentes ferroviários na Capital, com 27 mortes.

A Prefeitura de Curitiba e Estado vêm cobrando da União que a nova concessão inclua os contornos ferroviários Leste e Oeste, retirando mais de 40 quilômetros de trilhos de carga da área urbana. O Estado também defende a integração das concessões da Ferroeste e da Malha Sul, uma medida que poderia atacar gargalos históricos, como a descida da Serra da Esperança, e criar uma malha mais integrada para acompanhar o crescimento da produção paranaense até o Porto de Paranaguá.

Mesmo sendo senador desde 2023, Moro só passou a se manifestar de forma mais visível sobre a nova concessão em 2026 – já no contexto das eleições – quando o processo já estava estruturado pela ANTT e entrava na fase de audiência pública. Enquanto Estado e municípios defendem há anos soluções concretas para problemas que afetam produtores, motoristas e moradores, Moro já gastou metade do mandato sem usar sua força política para defendê-las. Agora, em campanha, ele volta a prometer resultados que nunca entregou como senador. (C/ Assessoria)

Imagem: Arquivo