“Flavio B e Neypai estão me cobrando”, disse lobista ao ex-banqueiro
Novas mensagens reveladas nesta segunda-feira recolocam no centro da campanha eleitoral de 2026 a relação de Flávio Bolsonaro (PL) com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e pivô do escândalo que envolve a instituição. O caso também alcança o senador Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná pelo partido de Flávio, que já foi questionado sobre as suspeitas envolvendo seu aliado político e, nas ocasiões em que se manifestou, resumiu sua posição à afirmação de que “Flávio deu suas explicações”.
A relação de Flávio com Vorcaro está sob investigação da Polícia Federal em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal. A apuração foi aberta para verificar possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados à captação e à movimentação dos recursos destinados ao Dark Horse.
As mensagens, apreendidas pela Polícia Federal e divulgadas pela CartaCapital, mostram o lobista Thiago Miranda cobrando de Vorcaro uma solução para pendências relacionadas ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro, e a uma negociação envolvendo o Santos. Na sequência, Miranda escreveu: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”. O registro acrescenta mais um elemento à documentação sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.
A nova mensagem do lobista se soma a uma sequência de revelações sobre o financiamento do filme. Flávio inicialmente negou ter contato com Vorcaro, mas posteriormente reconheceu que negociou com o ex-banqueiro recursos para a produção. Com o avanço das investigações, o próprio candidato à presidência concedeu entrevista coletiva à imprensa, ao lado de Moro, revelando que visitou Vorcaro quando ele já cumpria prisão domiciliar.
Documentos e relatórios financeiros identificaram ao menos US$ 12,3 milhões em repasses de Vorcaro supostamente para bancar o projeto, valor equivalente a cerca de R$ 65 milhões considerando a cotação indicada nas reportagens.
O valor conhecido aumentou depois que um relatório do Coaf identificou uma transferência de aproximadamente US$ 1,66 milhão, ou R$ 8,5 milhões na cotação da época, realizada em setembro de 2025. O repasse ocorreu depois da data que Flávio havia apontado publicamente como o último aporte de Vorcaro para o filme.
Os investigadores apuram se a estrutura utilizada para financiar o filme pode ter servido para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação ou a propriedade dos valores. Já a investigação sobre evasão de divisas busca verificar se houve remessas internacionais ilícitas ou não declaradas. A PF também apura se houve corrupção por meio de eventual solicitação ou intermediação irregular de recursos em razão da atuação de Flávio. (C/ Assessoria)
Imagem: Reprodução/Record
