Qualquer dia, qualquer hora…

O tempo vai passando rápido demais e acabamos adiando os melhores encontros

Sabe aquela promessa antiga de a gente se sentar para tomar um café e conversar sem pressa? Pois é, o tempo vai passando rápido demais e acabamos adiando os melhores encontros. Não precisamos planejar muito nem esperar uma grande ocasião. Qualquer dia desses, passa lá em casa. A porta está aberta e você pode aparecer a qualquer dia, qualquer  hora, o café sempre estará  esperando.

Pensei no tema, lembrando da letra de uma música, para começarmos a reflexão:

‘Qualquer dia, qualquer hora, a gente se encontra.
Seja aonde for pra falar de amor.
Pra matar a saudade da felicidade. Dos instantes que juntos passamos e promessas juramos. Reviver os momentos de sonho e de paixão.
Das palavras loucas vindas do coração. Meu amor, ah, se eu pudesse te abraçar agora. Poder parar o tempo nessa hora. Pra nunca mais eu ver você partir, meu amor’.

Gravada por Luiz Ayrão, em 1977, composição de Augusto César, Lourenço (Lourenço Cavalcanti Neto/Cantineto) e Sidney da Conceição, Os Amantes” é uma das canções românticas mais marcantes da música popular brasileira, tendo vendido cerca de dois milhões de cópias. A letra transforma a saudade em um desejo urgente de ver a pessoa amada, destacando que o tempo e o lugar não importam. O eu-lírico recorda os momentos felizes do passado e as promessas feitas, buscando reviver instantes de puro sonho e paixão. Expressões espontâneas mostram o desejo de parar o tempo no momento do abraço para evitar a partida do ser amado.

Mas as expressões qualquer dia, qualquer hora, como dissemos no início, podem indicar procrastinação,  que  é o ato de adiar ou postergar uma tarefa ou decisão de forma consciente, mesmo sabendo que isso trará consequências negativas. A procrastinação não é sinônimo de preguiça. Enquanto a pessoa preguiçosa não se importa em não realizar uma atividade, o procrastinador tem plena consciência da importância da tarefa e geralmente sofre com sentimento de culpa, ansiedade e estresse por não executá-la.

Em meio à produção deste texto, fomos surpreendidos pelo desastre que vitimou o cantor Rick e mais quatro pessoas, o que faz a muitos de nós refletir sobre a fragilidade da existência  física  e a importância de aproveitar o presente. Ao se despedir do público em um de seus últimos shows em Curitiba, ele teria dito: “Seja feliz, mas não espere pelo amanhã, ele pode não chegar”. Essas palavras ganharam forte repercussão e tom de despedida nas redes sociais após o falecimento do artista, aos 59 anos, em um trágico acidente de helicóptero na Serra Catarinense. Fãs e amigos também resgataram declarações anteriores do cantor sobre a imprevisibilidade da vida, como uma reflexão que ele havia feito após a morte de Marília Mendonça, na qual dizia que “amanhã pode ser nós, pode ser qualquer outro artista”. Ou seja, que qualquer dia, qualquer hora a morte pode nos surpreender.

Ampliando as reflexões sobre a morte, digo eu: A morte física é inevitável, mas talvez possa ser adiada. Creio que não há um dia exato, como muitas vezes dizemos. Era o dia do Rick? Era o dia de alguém que comete suicídio? Não, penso. Li que um sócio dele, que ia para o mesmo destino,  preferiu  viajar  de carro e que teria lhe  mostrando a previsão do tempo, que não era boa. Talvez estivesse na programação de uns e não da dele (sócio), a morte, podemos pensar.

Nada é por acaso, estava na programação, mas entender a ‘burocracia Divina’, digamos, não é fácil. O consolo é crer que a morte não existe Que morre o corpo e o Ser, que nesta existência conhecemos por Rick vive , agora na dimensão espiritual.

Qualquer dia, qualquer hora, ele vai se encontrar com os que precederam na viagem. João Paulo, da dupla com Daniel, por exemplo, a quem ele homenageou com uma linda música, ( Ao lado de Deus)  cuja letra  começa assim: Tive que ir embora, não pude mais ficar, chegou a minha hora. Amigo não chore (…). Que a vontade de Deus leva todos os seus, não importa o sucesso.

Imagem gerada por IA