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Troca de comando em partido que apoia Moro

A disputa pelo comando da Democracia Cristã (DC) do Paraná ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira, com uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral que determinou o restabelecimento da direção estadual anteriormente comandada pelo ex-deputado federal Ricardo Gomyde (foto).

A decisão ocorre depois de a legenda ter sido retirada de seu comando original às vésperas das convenções eleitorais e passado a apoiar a candidatura de Sergio Moro (PL) ao Governo do Paraná.

A decisão do TSE não anulou a convenção estadual realizada em 5 de agosto nem a decisão de apoio a Moro. O caso ainda será analisado definitivamente pela Justiça Eleitoral, mas a liminar recoloca a antiga direção no comando formal do partido enquanto a disputa sobre a intervenção permanece em julgamento.

A Democracia Cristã do Paraná passou, em poucos dias, de uma legenda que abrigava a pré-candidatura de Tony Garcia – cujas denúncias levaram à abertura de um inquérito do Supremo Tribunal Federal contra Sérgio Moro (PL) por grampos contra autoridades quando ele era juiz – a partido aliado do senador na disputa pelo Governo do Paraná.

A mudança ocorreu às vésperas das convenções eleitorais, com a substituição da direção estadual por uma Executiva que contava com um assessor comissionado de Moro no Senado como primeiro-secretário.

Garcia afirma que a mudança foi articulada pelo grupo de Moro para impedir sua candidatura e chegou a acusar o senador de tentar “comprar” sua candidatura ou o partido, informação que também já chegou ao STF. Em julho, disse que Moro teria atuado por meio de aliados para retirá-lo da disputa.

Moro e Garcia têm uma relação conturbada desde a assinatura de uma colaboração premiada em 2004. O ápice é uma operação da Polícia Federal de busca e apreensão dentro da 13ª Vara Federal para apurar as denúncias de Tony Garcia contra o então juiz. Esse processo tramita sob sigilo no STF.

Mudança repentina – Até poucos dias antes do período de convenções, o DC era comandado no Paraná pelo ex-deputado federal Ricardo Gomyde e trabalhava para viabilizar a candidatura de Garcia ao Governo.

O empresário apresentava sua entrada na disputa também como uma forma de confrontar politicamente Moro, a quem passou a acusar, a partir de 2023, de tê-lo utilizado por anos como um “agente infiltrado” em operações contra autoridades e magistrados.

Sem apresentar uma justificativa específica para a troca, a direção nacional do DC inativou a composição estadual que sustentava a pré-candidatura de Garcia e instituiu uma nova Executiva. A nova presidente, Rafaela Losi, prefeita de Clevelândia, afirmou que assumia com a missão de promover uma “reestruturação do Democracia Cristã no Paraná”. Poucos dias depois, porém, a nova direção oficializou o apoio a Moro e encerrou a possibilidade de candidatura própria ao Governo.

Um dos fatos mais significativos da nova composição foi a entrada de Fábio Aguayo como primeiro-secretário. Aguayo, que já integrava a equipe comissionada do gabinete de Moro no Senado, também passou a ocupar um cargo na Executiva estadual do DC.

A mudança teve consequência direta para Garcia. O DC abandonou sua pré-candidatura e, depois de anunciar o apoio a Moro, passou a pedir às empresas de pesquisa que retirassem o nome do empresário dos cenários eleitorais.

A mudança promovida no diretório estadual chama atenção também pela situação eleitoral do próprio DC. Nas eleições de 2022, a legenda não elegeu nenhum governador, senador, deputado federal ou estadual. Para 2026, o partido sequer lançou candidatos no Paraná.

Na prática, portanto, a entrada do DC na aliança de Moro não acrescentou ao senador uma chapa própria de candidatos proporcionais no Paraná. Tampouco representa, nas condições atuais, ganho de tempo de propaganda de rádio e TV ou de recursos do Fundo Partidário para a legenda, que não superou a cláusula de barreira.

Para o DC, a ausência de candidaturas proporcionais também significa deixar de disputar votos e representação parlamentar que poderiam ajudar o partido a superar a cláusula de barreira em eleições futuras.

A conexão com Tony Garcia – A reviravolta política ocorre enquanto avançam, no Judiciário, as investigações originadas nas denúncias de Garcia contra Moro. No acordo de colaboração elaborado por Moro e firmado há mais de 22 anos, Garcia deveria cumprir uma série de missões para investigar e grampear políticos, magistrados e outras autoridades apontadas pelo então juiz, com acompanhamento de agentes da Polícia Federal e produção de relatórios e mídias encaminhados à Justiça Federal.

Anos depois, sob o risco de ter seu acordo de colaboração anulado, Garcia denunciou as condições impostas por Moro, cujas acusações chegaram ao STF. Por determinação do ministro Dias Toffoli, a denúncia culminou, em dezembro de 2025, com uma busca e apreensão inédita dentro da própria 13ª Vara Federal de Curitiba, onde Moro havia atuado. O material localizado continua sob análise das autoridades. Moro nega todas as acusações. (C/ Assessoria)

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