Pastor jubilado da Assembleia de Deus de Paiçandu denuncia descumprimento de acordo e má-fé após sua saída
O pastor Osiel de Rezende, ex-presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Paiçandu Leste, afirma que um acordo realizado no contexto de sua saída da presidência não vem sendo cumprido pela atual administração. Segundo ele, antes de assinar sua renúncia, em 27 de julho foram negociados e reafirmados, diante de lideranças religiosas e integrantes da diretoria, o pagamento de quatro salários mensais até sua aposentadoria, o custeio do INSS até a aposentadoria e a manutenção vitalícia do plano de saúde dele e de sua família. A contranotificação enviada por sua defesa registra que, logo depois dessa reunião, Osiel assinou a renúncia e a sucessão foi concretizada.
Posteriormente, porém, já depois de sua renúncia, da posse do novo presidente e de ter sido formalmente homenageado pela própria Ieadple como “Pastor Presidente Jubilado de Paiçandu Leste”, foi realizada nova deliberação interna em 8 de setembro de 2026, sem a presença e sem a anuência do pastor Osiel, que passou a tratar a situação como mera “ajuda humanitária” e fixou o pagamento de apenas um salário mínimo mensal. Para o ex-presidente e sua defesa, essa decisão posterior e unilateral não poderia modificar aquilo que havia sido previamente acertado como condição de sua saída.
A própria votação posterior também passou a ser questionada. Dos 45 participantes, 20 votaram pela opção de um salário, enquanto 24 votaram por dois, três ou quatro salários, além de um voto em branco.
Um novo elemento reforçou a narrativa de Osiel: uma placa entregue pela própria Igreja no dia de sua saída registra seus 30 anos de dedicação ao ministério pastoral, seus aproximadamente quatro anos à frente do campo de Paiçandu e lhe confere expressamente o título de “Pastor Presidente Jubilado de Paiçandu Leste” (foto).
Osiel afirma ainda que, após a transição, parte do acordo chegou a ser cumprida, inclusive com pagamentos relacionados ao INSS e ao plano de saúde, circunstância que sua defesa considera relevante para demonstrar que não se trataria de simples promessa informal ou de pedido posterior de caridade.
Para o pastor e sua defesa, se as testemunhas presentes confirmarem o que foi negociado antes da renúncia, a posterior redução unilateral representaria grave quebra da palavra empenhada, violação da confiança e comportamento incompatível com a boa-fé. A defesa classifica eventual comportamento assim comprovado como desleal e moralmente reprovável, registrando que Osiel e sua família o percebem como desonesto em relação ao que lhes teria sido assegurado.
A situação também teve reflexos pessoais. Segundo o pastor, ele e sua esposa estão atualmente em acompanhamento psicológico, profundamente abalados com todo o episódio e com a forma como a situação se desenvolveu após décadas de dedicação ao ministério.
No final de semana, a defesa de Osiel encaminhou contranotificação extrajudicial à Ieadple, ao atual presidente, Leomarcos, e à Cieadep, reiterando o acordo, pedindo a preservação dos documentos e requerendo que nenhum pagamento atualmente reconhecido pela Igreja seja interrompido, reduzido ou suspenso enquanto a controvérsia é discutida.
Apesar do desgaste, o pastor Osiel afirma que ainda espera que a diretoria da Igreja que o jubilou e à qual tanto se dedicou resolva as pendências de maneira digna, pacífica e consensual, sem necessidade de envolver o Poder Judiciário. O que se espera, ao final, é apenas o cumprimento integral daquilo que, segundo o Pr. Osiel, foi prometido e acordado antes de sua saída, com a boa-fé, lealdade e respeito à palavra empenhada que se espera de qualquer relação humana e, com ainda maior razão, daqueles que exercem funções de liderança dentro da Casa de Deus.
Para Osiel, trata-se também de uma questão de exemplo: se valores como honestidade, fidelidade à palavra e respeito ao próximo não forem praticados dentro da própria Igreja, onde deveriam encontrar sua expressão mais evidente, de quem a sociedade poderia esperar esse exemplo? A Ieadple, seu atual presidente e a Cieadep têm prazo de cinco dias úteis para apresentar sua versão dos fatos e esclarecer as deliberações questionadas antes do ex-presidente tomar outras decisões.
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