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Recordar é viver

Requião Filho assessorou por 3 anos deputado flagrado com R$ 500 mil em dinheiro vivo no escândalo da JBS

Antes de se tornar candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho passou três anos trabalhando diretamente no gabinete de Rodrigo Rocha Loures, deputado federal que anos depois seria filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo de um executivo da JBS. O dinheiro era apontado pela Procuradoria-Geral da República como propina destinada ao então presidente Michel Temer, em uma investigação que levou Loures a responder por corrupção passiva. O assunto volta a circular em redes sociais por conta das eleições deste ano.

Entre 2007 e 2010, Requião Filho atuou como advogado no gabinete de Rocha Loures, em Brasília. O próprio deputado confirmou à Gazeta do Povo, na época, que empregava o filho de Roberto Requião. Segundo a reportagem, Maurício atuava em questões jurídicas nos tribunais superiores e também “auxiliava em demandas de prefeitos”.

A relação entre Rocha Loures e a família Requião, porém, começou antes disso. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, Rocha Loures havia sido chefe de gabinete de Roberto Requião no Governo do Paraná entre 2003 e 2004.

Em 2017, Rocha Loures ganhou fama nacional pelo episódio que ficou marcado como o caso da “mala de R$ 500 mil”. Ele foi filmado pela Polícia Federal recebendo o dinheiro entregue por Ricardo Saud, executivo do grupo J&F, controlador da JBS. Segundo a denúncia da PGR, o dinheiro fazia parte de uma vantagem indevida oferecida a Michel Temer, com Loures apontado como intermediário. A acusação também mencionava a possibilidade de pagamentos que poderiam chegar a R$ 38 milhões.

O caso ganhou dimensão nacional em meio às investigações que atingiam o governo Temer e os executivos da J&F. O STF recebeu a denúncia contra Temer e Loures por corrupção passiva e, posteriormente, determinou o desmembramento do processo em relação ao ex-deputado.

Em 2018, a relação entre Rocha Loures e o grupo político da família Requião voltou a aparecer na disputa pelo Governo do Paraná. João Arruda, primo de Requião Filho, foi o candidato do grupo ao Palácio Iguaçu e tinha Rocha Loures como suplente na Câmara dos Deputados. Arruda chegou a cogitar uma licença do mandato para se dedicar à campanha, mas desistiu para não deixar a cadeira para o próprio Rocha Loures, que naquele momento ainda estava no centro do escândalo de corrupção. (C/ Assessoria)

Fotos: Câmara dos Deputados/ Alep

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